Como foi o pedido de Lars Ulrich para silenciar baixo de "...And Justice For All"
Por Igor Miranda
Postado em 06 de janeiro de 2022
É famosa a história em que o Metallica silencia o baixo de Jason Newsted no álbum "...And Justice For All" (1988), justamente o que marcou a estreia do músico na formação. No entanto, poucos sabem exatamente como a situação se deu em estúdio.
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Em entrevista ao canal de Dean Cramer no YouTube, transcrita pelo Rock Celebrities, o engenheiro de som Steve Thompson revelou como recebeu o pedido para deixar o baixo de Newsted praticamente inaudível no disco. Thompson cuidou da mixagem das músicas ao lado de Michael Barbiero, enquanto a produção é assinada por Flemming Rasmussen.
Inicialmente, o profissional de estúdio destacou o baterista Lars Ulrich como a figura central do pedido. E tudo girava em torno de como o instrumento dele soaria.
"Lars originalmente veio com todo um gráfico de equalização mostrando como queria que sua bateria soasse. Michael Barbiero, então, perguntou se eu não poderia cuidar da bateria e ele cuidaria do resto. Daí fui ouvir os sons e falei: 'você só pode estar de brincadeira, essa bateria soa uma m*rda", contou.
Steve Thompson acabou mexendo na equalização de forma um pouco diferente da sugerida por Lars Ulrich, para deixar "mais palpável", segundo ele. "Acabei subindo o volume do baixo. Formava um ótimo casamento com a guitarra de James Hetfield. Deixei tudo no jeito. Hetfield ouviu e aprovou, daí veio Lars, que ouviu por cinco a dez segundos e disse: 'pare aí mesmo, o que aconteceu com meu som de bateria?'", declarou.
Como Ulrich reprovou o trabalho de Thompson até ali, a bateria teve de ser novamente remixada. Foi aí que o baterista fez o inusitado pedido. "Lars chegou e disse: 'ok, você vê o baixo aí?'. Eu disse que sim. Então ele: 'abaixe tudo na mixagem'. Falei 'ok' e realmente abaixei, como uma brincadeira. Daí ele falou: 'abaixe mais cinco ou seis decibéis, é para ficar bem difícil de ouvir'. Perguntei se era sério mesmo. Olhei para Hetfield e ele estava fazendo um sinal negativo com as duas mãos", afirmou o profissional.
A situação era tão séria que Steve Thompson chegou a conversar com os empresários do Metallica, Cliff Burnstein e Peter Mensch. "Falei que amo aqueles caras, que a banda é incrível, mas não concordo com o que pediram. Disse que entendia, pois é o disco deles, eles podem ter o que quiserem e fomos contratados para isso, mas não me via fazendo isso", disse.
Mas, claro, não adiantou. "Acabamos dando a eles o que queriam. Não é o meu disco, é deles, você precisa respeitar a opinião. Odiei fazer aquilo, pois sou um cara que curte baixo e gosto de obter os sons mais fortes de baixo possíveis", declarou.
A entrevista completa pode ser ouvida, em inglês e sem legendas, no player de vídeo a seguir.
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