Sabaton: A resposta de Joakim Brodén para quem acusa banda de apologia ao nazismo
Por Gustavo Maiato
Postado em 04 de março de 2022
Quase toda a discografia do Sabaton é composta por músicas sobre história militar. Dessa forma, é comum a banda abordar pontos de vista diferentes ao longo das composições. Um exemplo é a música "Cliffs of Gallipoli", que fala de uma vitória dos turcos, enquanto a música "Winged Hussars" é sobre uma derrota do mesmo povo.
Nesse sentido, o Sabaton já fez músicas falando sobre os feitos da Alemanha de Adolf Hitler, mas existe um contexto de apenas contar a história, sem entrar em questões políticas ou de mérito. Em músicas como "Rise of Evil", por exemplo, a letra fala sobre a ascensão do nazismo. Mas como será que a banda se defende das acusações de que fazem apologia a essa corrente política?
O assunto foi comentado por Joakim Brodén, vocalista da banda, durante uma coletiva de imprensa organizada pela Nuclear Blast e com trechos publicados no site do jornalista musical Gustavo Maiato. Confira abaixo a resposta do músico.
"Muitos jornalistas de rock e metal e até mesmo fãs sabem que nós falamos sobre guerra. Mas conforme crescemos enquanto banda, muitas pessoas de fora desse círculo acabam nos descobrindo. Praticamente em todas nossas músicas, se você pegar um trecho fora de contexto, pode ser interpretado errado! Se você tocar ‘Rise of Evil’, por exemplo, tem um verso que diz ‘O Reich vai se erguer!’. Você pode achar estranho isso! Então, todos os dias enfrentamos essas críticas. Tradicionalmente, músicas sempre entregam mensagens. As pessoas procuram por mensagens. No caso de filmes, sempre foi tranquilo contar histórias sem ter essa mensagem por trás. Por exemplo, ninguém diz que o Steven Spielberg é nazista por ter feito o filme ‘A Lista de Schindler’! (risos)", refletiu.
Confira abaixo outros trechos da mesma entrevista.
Significado da tatuagem de Joakim Brodén
"Eu tenho apenas uma tatuagem, que começa na costela e vai pelo braço todo. A história é engraçada, porque não tem nenhum grande significado por trás! Ela foi feita pelo mesmo cara que desenhou o logo do Sabaton. Um amigo meu de infância. Ele tinha acabado de virar tatuador quando fez essa tatuagem em mim. Isso foi em 2008. Disse como queria o estilo e ele falou que faria de graça, mas eu não poderia opinar sobre como seria a tatuagem! Então ele fez naquele estilo free hand. Ele não colocou o desenho em um papel antes, foi direto no meu braço!".
Por que o Sabaton não tem tecladista?
"Nós tínhamos um tecladista, que era o Daniel Myhr, mas nós nos separamos em 2012. Ele disse que pensou em continuar conosco, mas depois refletiu e achou que seria muito puxado. Ele resolveu continuar no mundo da música, mas não tocando tanto quanto a gente. Ficamos sem escolha. Então, veio o álbum ‘Carolus Rex’ e tinha muitas orquestrações que nem se tivéssemos um tecladista, não daria para reproduzir isso ao vivo. Nos discos mais recentes, nem se tivéssemos dois tecladistas não ia rolar. Não seria vantajoso, até porque precisamos programar os vídeos que passam no telão dos shows com uma trilha de click. Precisamos programar também a pirotecnia. Isso tudo precisa ser cronometrado. A grande vantagem de ter uma banda em que todos tocam ao vivo é não precisar seguir o click. Você pode improvisar, mas agora, mesmo que tivéssemos um tecladista, ainda estaríamos presos ao click! (risos)".
Mulher na guerra pode?
"Nossa nova música 'Lady of the Dark' é sobre uma mulher. O fato de um personagem ser homem ou mulher não é o fator decisivo. O que analisamos é se seus feitos em combate são interessantes. Se for interessante e acontecer de essa pessoa ser uma mulher, isso é algo mais legal ainda, porque é algo mais único e diferente. É inesperado".
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