Quando UDO se arriscou no hard rock com "Faceless World" (vídeo).
Por Tchelo Emerson
Postado em 30 de abril de 2022
No dia em que Udo Dikschneider completou 70 anos de idade (06/04/22), o canal Metal Musikast deu início a uma série especial de vídeos intitulada U.D.O. - DISCOGRAFIA COMENTADA.
Com participação especial de Daniel Iasbeck, a série terá um vídeo-resenha para cada álbum de estúdio lançado pelo lendário ex-vocalista da banda Accept, com análise completa, detalhes e curiosidades de cada um dos discos.
Iasbeck é músico, produtor e professor de guitarra. Foi integrante da lendária banda Secos & Molhados, ao lado do seu fundador João Ricardo, e também da banda Exxótica. Hoje é um dos guitarristas da banda RF Force, ao lado do guitarrista Rodrigo Flausino (Children of the Beast).
Metal Musikast acaba de lançar o terceiro, com resenha completa sobre o álbum "Faceless World".
Você pode ver o vídeo completo no player a seguir.
Para entendermos a singularidade do álbum "Faceless World" na discografia do U.D.O., vale lembrar do contexto em que a banda Accept vivia no final dos anos 80, o que impactou diretamente na carreira solo do seu ex-vocalista. Os alemães tinham lançado o álbum "Russian Roulette", na incansável busca por espaço no mercado mundial da música pesada. Porém, os resultados comerciais esperados não foram atingidos.
A banda entra em acordo com Udo e o demite, substituindo-o pelo norte-americano David Reece, que tinha um timbre de voz mais melódico, o que a banda achava ser mais adequado para tentar o sucesso no circuito de rádios dos Estados Unidos. Enquanto Udo Dirkschneider dava início à sua carreira solo, com o álbum "Animal House", que foi inteiramente composto pelos músicos do Accept na época e pela empresária Gaby Hauke, que assinava com o pseudônimo Deaffy.
U.D.O. já havia lançado seu segundo álbum, "Mean Machine", e só então o Accept apareceu com "Eat the Heat", disco que abraçava o "glam metal" californiano, levando a banda para um completo fiasco comercial que acabou causando a separação e a saída dos alemães do cenário da música pesada em fins dos anos 80.
Foi neste contexto que U.D.O. lançou seu terceiro álbum, "Faceless World", gravado entre outubro de 1989 e janeiro de 1990. O disco foi lançado em 25 de fevereiro de 1990.
Com produção do ex-baterista do Accept, Stefan Kaufmann, o time que acompanha Udo Dirkschneider contava com Thomas Smuszynski (baixo), Stefan Schwartzmann (bateria) e Mathias Dieth (guitarras). O guitarrista Wolla Böhm fez parte da banda apenas após a gravação, para compor a "line up" ao vivo.
A sonoridade de "Faceless World" está calcada num mix bem equilibrado de hard rock e heavy metal. A abordagem musical segue uma estética que era relativamente comum na segunda metade dos anos 80: produção polida, linhas vocais bem trabalhadas, refrãos grandiosos acompanhados de coros melódicos, linhas de guitarras que beiravam a virtuose, bateria com sonoridade próxima de kits eletrônicos.
Daniel Iasbeck começa os comentários elogiando o álbum resenhado: "Dando uma geral, eu considero ele [o álbum 'Faceless World'] um ponto extremamente criativo...ele está tentando colocar um pezinho no lado comercial...não vamos dizer que é o que o Accept tentou fazer com o 'Eat the Heat', porque ali foi uma lambança, mas o UDO botou um molho [comercial] e deu certo pra caramba.Como eu falei, criativo; o som dele é bonito, cheio, bem produzido".
Tchelo Emerson complementa: "Na minha opinião, é o 'Eat the Heat' que deu certo".
A faixa de abertura "Heart of Gold" já entrega todas estas características.
Daniel Iasbeck ressalta que a faixa seguinte, "Blitz of Lightining", segue um padrão já estabelecido pela banda anterior do Udo, Accept, em músicas como "Midnight Mover".
Comentários à parte são feitos a respeito da música "System of Life", que tem uma parte que soa extremamente semelhante a "Princess of the Night", do Saxon.
Na sequência do "tracklist" vem a faixa-título, que recebe rasgados elogios de Daniel Iasbeck e Tchelo Emerson.
O álbum continua com seu ótimo nível em "Stranger", "Restricted Area" e "Living on a Frontline".
Tchelo Emerson comenta que apenas em "Trip to Nowhere" surge uma música com sonoridade próxima do heavy metal tradicional que consagrou Udo no Accept.
Daniel Iasbeck diz que "Born to run" e "Can´t get Enough" são boas, mas um tanto convencionais.
"Unspoken Words" é a balada do disco, que encerra com "Future Land", "uma faixa mais cadenciada e até mesmo meio robótica", como comentou Iasbeck.
De um modo geral, a resenha classifica o disco como "ótimo", sendo um ponto alto e diferenciado da discografia do U.D.O., com destaque especial para o guitarrista Mathias Dieth, que ficou encarregado pelas linhas de guitarras de todo o álbum e participou da composição de muitas das músicas que entraram no álbum.
Tchelo Emerson questiona: "não sei por que ele [Mathias Dieth] não alcançou patamares maiores na carreira musical".
Daniel Iasbeck informou que Mathias Dieth se tornou advogado e manteve a amizade com Stefan Kaufmann, tendo participado do vídeo de "Face of the Stranger", que Udo lançou recentemente, durante a pandemia sob o nome Dirkschneider and the Old Gang.
Para Tchelo Emerson: "vou fazer uma comparação que pode ser meio tosca, mas, parece o que o Steve Vai fez no Whitesnake, guardadas as devidas proporções, no sentido de tocar uma guitarra com virtuose dentro do hard rock, sem fazer algo na linha 'fusion".
Daniel Iasbeck concorda dizendo: "por isso que falei outro dia, o Udo deu uma sorte danada com esse sujeito".
Lembrando que Udo Dirkschneider estará em turnê pelo Brasil na primeira quinzena de junho de 2022, com "Game Over Brazilian Tour - 2022", para promover seu álbum mais recente, "Game Over", lançado em 2021.
A resenha completa pode ser assistida no player de vídeo a seguir.
O vídeo é o terceiro da série chamada "U.D.O. - DISCOGRAFIA COMENTADA", que vai abordar curiosidades sobre todos os álbuns da banda solo do lendário vocalista que desbravou a cena musical dos anos 70 e 80 para inaugurar um circuito para o heavy metal na Alemanha com sua ex-banda Accept.
METAL MUSIKAST no Youtube é um novo canal para os fãs de metal encontrarem muita informação e histórias sobre as principais bandas de várias vertentes do metal.
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