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A época em que Chuck Schuldiner deixou o Death temporariamente

Por Clovis Roman
Em 26/05/22

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O guitarrista e vocalista Chuck Schuldiner é uma das mais importantes figuras do Death Metal mundial. Começando o grupo como Mantas, depois mudando para o nome com o qual conquistou prestígio mundialmente, Death, o músico havia lançado dois discos agressivos e extremos, porém ele queria algo a mais, tanto musicalmente quanto liricamente. Deixando de lado temáticas satânicas e violentas, cujas mensagens eram vazias, Chuck começou a abordar temas mais sérios com um lirismo raramente visto no estilo.

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A parte musical, por sua vez, foi refinada com mais elementos técnicos, porém, sem macular o peso e a velocidade. Era uma evolução. O caminho para chegar ao terceiro álbum foi tortuoso para o jovem headbanger, mas o resultado foi excelente, olhando em retrospecto. Entretanto, a chegada de Spiritual Healing às lojas de discos causou muita controvérsia, assim como ocorrera com o Metallica tempos antes. Findada a gravação do trabalho, o guitarrista James Murphy deixou o grupo. No livro Death By Metal – A História de Chuck Schuldiner, lançado no Brasil pela Editora Estética Torta, esta história é contada pelos personagens envolvidos e pelo autor, Rino Gissi: "O distanciamento entre os dois se tornou gradualmente insuperável. De acordo com uma declaração feita por Greif [Eric Greif, empresário, que inclusive gravou teclados na faixa-título], alguns problemas existiam já durante as gravações de Spiritual Healing: ‘Ficamos em um hotel em Tampa por cerca de dois meses para terminar o álbum, foi quando começamos a perceber que James não encaixava bem no lado pessoal. Ele tinha algumas estranhezas e peculiaridades que muitas vezes deixavam eu e o Chuck sem entender nada".

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Não está muito claro quais foram as questões que custaram o lugar de Murphy, e até a sua futura reconstrução dos fatos é um pouco vaga: "Nenhum de nós era maduro no que diz respeito às relações pessoais. Não teve nada de impressionante ou horrível na minha saída do Death. Liguei para o Scott Burns e perguntei se ele sabia de alguma banda que estava procurando um guitarrista. Ele disse: ‘Estou com o Obituary aqui no estúdio e eles estão precisando de um guitarrista solo'. No dia seguinte eu estava lá gravando as minhas partes para o Cause Of Death".

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O Death contratou o excepcional Paul Masvidal [que entraria na banda anos depois e gravaria o disco Human, 1991] para shows na Flórida. Uma turnê europeia estava planejada na sequência, mas foi cancelada. Chuck explicou: "A gente queria ter certeza de que teríamos todas as condições adequadas para fazer uma turnê à altura, mas não conseguimos convencer nossa gravadora da Europa. Tínhamos pedido um ônibus de turnê à parte e uma diária semanal para não morrermos de fome. Infelizmente a Music For Nations não achou que aquilo valeria a pena. Depois disso, pediram que a gente remarcasse as datas, mas primeiro precisávamos encontrar um novo guitarrista".

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Neste meio tempo, o grupo embarcou em uma turnê pelos Estados Unidos, ao lado do Carcass e do Pestilence. Para a segunda guitarra, foi contratado Albert Gonzales (ex-Evil Dead). Entretanto, o músico pouco durou, e o grupo fez as últimas datas como um trio, em meio a situações complicadas, como em um show onde foram alvos de objetos e líquidos por parte da plateia.

Em outubro de 1990, o Death faria uma extensa turnê com o Kreator, mas Schuldiner teve um colapso nervoso. O peso de uma carreira conturbada e que não o satisfazia por completo, o sufocava e o fez cair em um tipo de estado depressivo. Poucos dias antes de viajarem, Chuck sumiu do mapa e depois disse aos companheiros de banda que não estava se sentindo disposto: ele queria cancelar a participação do Death na turnê. Cansados do seu modo de agir ultra exigente e irracional, o baixista Terry Butler e o baterista Bill Andrews assumiram a responsabilidade e voaram para a Europa sem o líder. Para fazer as datas, chamaram Walter Trachsler (guitarrista do Rotting Corpse) e Louie Carrisalez (baterista do Devastation) para assumir os vocais.

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Uma raríssima filmagem desta versão do Death ao vivo chegou ao YouTube apenas este ano.

Outro registro, também recém publicado, mostra cenas do Death sem Chuck Schuldiner ao vivo (a partir de 7:45).

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A situação, claro, espantou os fãs e depôs contra a imagem do grupo que Schuldiner havia batalhado muito para construir. Na época com 23 anos, a mente criativa do Death esforçava-se muito para se adaptar ao mundo cínico da indústria musical: sua personalidade, amigável e companheira por um lado, autoritária e irritada por outro, não tornava as coisas fáceis, somando-se a este fator a imaturidade de todos os integrantes.

Décadas mais tarde, em 2011, o baixista da época, Terry Butler (Six Feet Under, Obituary), relembrou o episódio, em depoimento que consta no livro Death By Metal: "Tínhamos que ir à Europa para tocar com o Kreator. Teríamos nosso próprio ônibus de turnê e a nossa própria equipe; tudo o que tínhamos que fazer era tocar. Poucos dias depois, o Chuck desapareceu. Ele tinha terminado com a namorada e ainda estava mal; ele também estava ficando cansado do death metal em geral. Resumindo, ele não queria viajar mas já tínhamos assinado contratos e dado entrevistas. A gente se encontrou na casa dele, a mãe dele cuidava da parte legal da banda. Todos os documentos chegaram prontos e assinamos tudo. O que mais deveríamos ter feito? Éramos moleques e achávamos que todos tinham a mesma influência no grupo. Três semanas depois do início dos shows, que foram um sucesso, o Chuck ligou para a agência de booking para dizer que queria fazer parte da turnê. Disseram que era impossível porque a equipe do Kreator largaria tudo se ele aparecesse por lá. O pessoal ficou furioso por ele quase ter cancelado a turnê no último minuto".

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O músico complementa: "Nunca mais falamos com o Chuck depois que voltamos da Europa. Estava implícito que não faríamos mais parte do Death. Eu gostaria que ele tivesse falado com a gente e nos dito como ele realmente se sentia. Eu, ele e o Bill éramos muito unidos. Era fácil se dar bem com Chuck, mas ele também se irritava fácil quando você discordava dele. Ele vivia pela música e pela banda; se interferisse nos planos dele, ele não deixaria você se safar. Ele era o tipo de pessoa que, se quisesse virar a página, simplesmente dava as costas e seguia em frente".

O empresário, Greif, adicionou sobre a obstinação de Chuck: "Ele estava sempre se dedicando para levar o grupo mais além. A grande evolução do Leprosy para o Spiritual Healing só ficou atrás da evolução do próprio Spiritual Healing para o Human. O que me espanta é ele ter alcançado uma evolução musical incrivelmente complexa em um momento da sua vida em que estava tão frágil e vulnerável".

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Apesar do ótimo disco, foi um momento turbulento para o Death. O ano de 1990 terminou com uma mudança profunda em sua estrutura. Após Greif e Chuck fazerem uma reunião, uma decisão foi tomada, como conta o autor: "Butler e Andrews, legalmente representados pela mãe do baterista, foram expulsos da banda. Chuck Schuldiner e o Death se tornaram uma coisa só". Mais tarde, no começo do ano seguinte, Schuldiner comentou em entrevista para a revista Rock Hard "Não tenho nenhum problema com drogas; tive alguns problemas com algumas pessoas da indústria, alguns problemas pessoais e cheguei a pensar que tudo estava condenado a dar errado. Houve muitos inconvenientes desagradáveis, mesmo em torno do uso do nome Death, que eu criei em 1984 e tenho todo o direito de usar. Enquanto compor músicas, continuarei fazendo isso com esse nome".

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Na mesma entrevista, o líder do Death falou mais sobre os problemas que enfrentou naquela época: "Eu me sentia sufocado por todas as atividades pelas quais eu era responsável, por todas as merdas que continuei aguentando em nome da banda e muitas pressões. Não é difícil ser consumido pelas inúmeras questões que giram em torno dos negócios desse meio. Tive que me afastar de muitas coisas e pela primeira vez, lidar com o julgamento alheio. Há anos tenho sido um suposto cuzão psicótico com quem ninguém suporta trabalhar e isso é totalmente oposto à realidade. Muitas coisas não estavam indo bem na minha vida, acumuladas ao longo dos anos. Sou um ser humano como qualquer outro".

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Sendo o humano que era, em 1991 Chuck lançou um novo disco com o Death, curiosamente intitulado Human, que representava mais um passo gigantesco rumo ao death metal técnico e liricamente profundo, com a genialidade que permaneceu com ele até o fim de sua vida, em 2001.

Traçando os eventos mais importantes da vida e carreira de Chuck, aliada a análises das letras, o livro Death by Metal é essencial para conhecer a obra e o legado de Chuck Schuldiner. O livro foi lançado inicialmente pela Estética Torta em maio de 2020, esgotando suas cópias em poucos meses. Uma nova edição, com capa dura e nova arte de capa (com ilustração de capa desenhada pelo artista colombiano Alejandro Ariza Rosales), revisada e ampliada com um apêndice escrito pelo jornalista Clovis Roman, a obra está disponível para venda no site da editora Estética Torta.

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Paul Masvidal conta que passagem pelo Death foi muito emocionante