Integrantes do Rush relembram a época que abriram shows para o Kiss, em 1975
Por André Garcia
Postado em 24 de maio de 2022
Com dezenas de álbuns lançados e décadas de estrada, Rush e Kiss possuem duas das mais longas e vitoriosas trajetórias do rock.
O Rush é lembrado por seu som complexo grandioso que contrastava com sua formação de trio. Músicos versáteis, se destacaram em diversos gêneros, mais notavelmente o rock progressivo. Assim, a banda conquistou uma legião de fãs pelo primor técnico de seus integrantes.
Já o Kiss até hoje não é levado a sério por muita gente, chegando às vezes a ser mais lembrado pelos grandes espetáculos e pelo merchandising do que pela música. O que é uma injustiça, já que lançou diversos grandes álbuns, principalmente nos anos 70.
Embora Rush e Kiss sejam completamente diferentes, seus primórdios possuem uma série de coisas em comum. Influenciadas por bandas como Led Zeppelin e Cream, ambas gravaram seu álbum de estreia em 1973 e o lançaram, autointitulado, no ano seguinte. Além disso, ambas chegaram ao sucesso comercial com um clássico lançado em 76: Kiss com "Destroyer" e Rush com "2112". Como se não bastasse, o trio canadense ainda abriu shows para o quarteto novaiorquino em 1975.
Ou seja, se trata de duas bandas que se conheceram intimamente no começo da carreira. E a Rock and Roll Garage garimpou as entrevistas de Geddy Lee, Neil Peart e Alex Lifeson, para encontrar suas recordações do período em que dividiram o palco com Paul Stanley, Gene Simmons, Ace Frehley e Peter Criss, antes deles se tornarem astros.
Neil Peart
"O Kiss sempre foi uma totalmente focada corporação. Lá no começo, eu via Gene Simmons com um caderno do ensino médio com todas as fantasias do Kiss. Ele e Paul [Stanley] sabiam exatamente o que estavam fazendo, e o caminho que deveriam seguir. Já os de coração mais mole, como Ace e Peter, sabe, eles não conseguiam fazer aquele papel com o mesmo cinismo, e sofreram com aquilo de forma trágica. Por que eles eram pessoas tão amáveis, e isso é o que geralmente você vê acontecer."
"Se você reparar nessas tragédias — e eu leio as biografias de Dennis Wilson e Keith Moon, por exemplo —, é triste porque eles eram tão amados como pessoa. Não apenas como bateristas, mas como pessoas, e sentiam que não eram merecedores daquele amor. Dá para ver esse defeito fatal neles."
Em entrevista para George Stroumboulopoulos, em 2011
Geddy Lee
"[O Kiss] estava ralando também, era a primeira turnê deles como atração principal. Mas eram shows pequenos, a gente estava tocando muito em teatros. Para a gente era um sonho, porque estávamos trabalhando regularmente, o que era ótimo, e viajando pelos Estados Unidos pela primeira vez. Na nossa cabeça era, tipo: 'Pode ser que a gente nunca mais volte a metade dessas cidades', então levávamos as chaves dos hotéis e coisas do Holiday Inn, sabe."
"Então aprendemos muito sobre o quanto de trabalho duro você precisa dedicar a um show. Esse era o segredo deles, como Alex [Lifeson] dizia, uma baita ética de trabalho. Independentemente do que você acha da música deles, você tem que respeitar a banda por sua dedicação ao trabalho."
Em entrevista para George Stroumboulopoulos, em 2010
Alex Lifeson
"Nós tocamos com eles [Kiss] em sua primeira turnê como atração principal, em 1975. Eles estavam incríveis, era ótimo trabalhar com eles. Nós ficamos muito próximos naquela excursão, saíamos muito juntos, como uma grande família. Nossas equipes eram pequenas, obviamente, estávamos bem no começo. Nós pudemos ver o quão duro eles trabalhavam. É como Geddy costuma dizer, não há banda que trabalhe mais duro que o Kiss. Eles nos mostraram, e nós aprendemos muito com aqueles caras."
Em entrevista para George Stroumboulopoulos, em 2010
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