Gloria Cavalera foi aconselhada a não empresariar o Sepultura por serem estrangeiros
Por Emanuel Seagal
Postado em 11 de outubro de 2022
Gloria Cavalera nasceu em 1953 em Huron, Dakota do Sul, filha de uma sobrevivente de um campo de concentração nazista. Na década de oitenta ela trabalhava em uma pizzaria e aceitou o convite do seu irmão para abrir um bar, uma proposta que eventualmente ligaria sua história com a música brasileira para sempre, além de cruzar seu caminho com seu futuro marido, Max Cavalera (Cavalera Conspiracy, Go Ahead And Die, Soulfly, ex-Sepultura).
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Em conversa com Eleanor Goodman, da revista Metal Hammer, Gloria contou um pouco sobre como seu trabalho na música começou e também que ao receber a proposta de trabalhar com o Sepultura ela foi aconselhada a não se envolver com o grupo por serem estrangeiros.
Gloria e seu irmão abriram o bar e improvisaram um palco com mesas de sinuca, chapas de compensado e caixas de leite. "O Flotsam and Jetsam (banda original do Jason Newsted) se tornou a banda da casa", relembrou. Quando o bar fechou em 1986, o guitarrista do Sacred Reich, Jason Rainey, a convidou para ser empresária da banda. Ela aceitou, mas não tinha a menor ideia do que fazer. "Me levou um ano e meio para conseguir uma turnê; eu não conseguia de jeito nenhum, era muito difícil! (risos)", disse. Gloria passou por vários perrengues, dividindo seu tempo como mãe, vendendo livros em uma empresa e como empresária de banda.
Um dia Monte Conner, da gravadora Roadrunner, a convidou para ser empresária do Sepultura. "Eu não os conhecia direito. Eu consegui um show para o Sacred Reich com o King Diamond no Ritz, em Nova Iorque (em 1989). O Sepultura estava lá e Cees (Wessels, fundador da Roadrunner) convidou diversos empresários. Quando cheguei lá, todos eles me falaram, 'Não pegue eles' — eles eram estrangeiros. Minha mãe era estrangeira, então não dei bola pra nada disso. O set deles foi brilhante e a primeira coisa na minha cabeça foi, 'Alguém vai tirar vantagem desses caras.' Então fui, me sentei perto do Cees e disse, 'Ok, eu aceito', e ele começou a rir.
Gloria relembrou seu encontro com a banda, quando tocaram no The Mason Jar, em Phoenix, capital do Arizona, onde ela e Max Cavalera vivem atualmente. "Eles estavam todos apertados em uma van, não tinham água no palco. O Paulo tinha essa palheta que parecia que estava sendo roída por um rato há um mês. Eles estavam com um empresário que trabalhava com alguém tipo Eartha Kitt. Eu falei, 'Não sei o que vocês estão fazendo com essa pessoa'. Eu não roubo artistas, então eles negociaram algum acordo com a Roadrunner e pagaram esse empresário para ficarem livre dele. Então recebi esse cartão postal do Max: 'Realmente espero que você trabalhe conosco, beijos, Max.' Eu disse, 'Ok, vou trabalhar com vocês por um ano, mas não receberei nenhum pagamento.' Eu queria ver se iríamos nos dar bem. Então logo em seguida eu estava comprando seus calçados, almoços… (risos)."
O casal Cavalera se conheceu entre as décadas de 80 e 90 e de lá pra cá muita coisa aconteceu, como a saída do Max do Sepultura e seus diversos projetos posteriores. Ela nunca deixou de empresariar o marido, e talvez jamais passe o cargo para outra pessoa. "Eu provavelmente vou virar pó no palco em algum lugar, pra ser franca contigo. Esse cara não vai me dar folga! Eu não em vejo parando por enquanto, pois (ser empresária dele) é uma grande parte da nossa vida."
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