Para Steve Hackett, o tapping foi "equivalente à fissão nuclear" para a guitarra
Por André Garcia
Postado em 17 de março de 2023
Steve Hackett se tornou um dos mais respeitados guitarristas da Inglaterra por sua prolífica e bem-sucedida passagem pelo Genesis, entre 1970 e 77. Foi com ele que a banda gravou os principais álbuns de sua fase progressiva, na era Peter Gabriel.
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Além de influências de jazz, folk e música clássica, ele introduziu ao rock técnicas até então pouco difundidas, como o tapping — que anos depois se tornaria febre nas mãos de Eddie Van Halen. Em entrevista para a Guitar World, ele comparou a "descoberta" daquela técnica a uma das maiores descobertas da física:
"Eu era muito jovem quando descobri aquilo, e na época eu apenas achava incrível. Não, eu nunca poderia ter imaginado [o quanto aquilo se tornaria popular]. Eu estava só brincando, e um dia percebi que dava para martelar [as cordas] com a mão direita — o que se tornou uma técnica importante, porque permite que você toque incrivelmente rápido. Me lembro de ter pensado isso e ter me ocorrido a ideia de fazer algo em uma corda sem necessariamente ter que mover para outra. Quando apliquei aquilo em todo o braço do violão, descobri que poderia fazer coisas incríveis. É uma técnica extraordinária, que virou corriqueiro para muitos guitarristas de heavy metal. Eu acho que fico feliz de ser considerado o avô disso."
Steve disse não recordar o momento exato de sua descoberta, "mas lembro de como ela me fez sentir: foi provavelmente o equivalente da guitarra para a fissão nuclear. Senti que era possível fazer algo que, até então, só os tecladistas eram capazes — foi eletrizante! E agora, por mais de 50 anos, isso faz parte do vocabulário do rock 'n' roll."
"Pensando nisso, eu me lembro de ter feito [tapping] pela primeira vez em 1971, no 'Nursery Cryme'. Lembro que lutei para tocar no tempo certo, mas exercitei ao vivo durante alguns solos com o Genesis, e foi quando outras pessoas começaram a fazer. Na época, não percebi sua importância, no sentido universal. Na época, achei que era algo pessoal para mim, e que eu era a única pessoa fazendo aquilo", concluiu.
Steve Hackett não fez parte do show de despedida do Genesis, realizado em 2022. Em 2014, ele participou do documentário Genesis: Together and Apart, com Peter Gabriel, Tony Banks, Mike Rutherford e, claro, Phil Collins. Entretanto, o guitarrista criticou a produção por ter considerado sua edição tendenciosa na forma como o retratou.
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