Queen: Freddie Mercury mal ficava de pé quando gravou "The Show Must Go On"
Por André Garcia
Postado em 27 de junho de 2023
"The Show Must Go On" foi mais que apenas o último hit do Queen, foi uma autêntica e comovente despedida de Freddie Mercury. Vítima de AIDS/HIV, ele morreu em 22 de novembro de 1991.
Última faixa do "Innuendo" (1991) — último álbum lançado pela banda com o vocalista vivo — foi lançada como single poucas semanas antes de sua morte. Em entrevista para a Guitar World, o guitarrista Brian May relembrou como foi a gravação, relembrando o estado debilitado do vocalista, e sua força de vontade em seguir adiante:
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"Naquele ponto, é claro, estávamos em um momento muito diferente, onde Freddie sabia que seu tempo estava se esgotando. [...] Nós também estávamos cientes disso. Só que ele estava determinado em seguir em frente, como se nada tivesse acontecido: 'Vamos para o estúdio e esquecer tudo, apenas sermos nós mesmos e criar'. E a energia no estúdio era ótima. Fred estava muito positivo na forma como ele lidava com aquilo — eu realmente não sei como. No entanto, ele não podia estar tão presente assim, porque fisicamente já estava sofrendo e precisava fazer seus tratamentos. Naquela época, você nunca sabia quando ele voltaria."
Após observar que "canções nunca são sobre uma coisa só", May disse que "'The Show Must Go On' era sobre um palhaço que sofre por dentro, mas ainda assim pinta em seu rosto um sorriso para alegrar a todos". Não foi dito por eles que se tratava de uma alegoria sobre o próprio Freddie, mas estava implícito. "Na verdade, ela é sobre Freddie", reconsiderou o guitarrista logo a seguir.
"Já tínhamos a letra do primeiro verso, e o Freddie disse 'Volto assim que puder'", prosseguiu, "mas não voltou por muito tempo. Só que a música foi se desenvolvendo na minha cabeça [...] eu não conseguia parar. Por algum motivo, uma energia estava vindo até mim. [...] Basicamente, eu escrevi a música inteira em torno daquela pequena parte que Freddie e eu criamos juntos. Acordei uma manhã com essa imagem de borboletas na minha cabeça e pensei que adoraria ouvir o Freddie cantar: 'Minha alma é pintada como as asas de uma borboleta'. Eu pensei: isso é a cara de Freddie', mas ele não escreveria aquilo para si mesmo, porque ele não se colocaria dessa forma, sabe? Mas eu escrevi para ele. Eu queria colocar aquelas palavras em sua boca. E foi um presente de Deus. Nem sei de onde veio aquela letra."
"Então eu apresentei tudo a ele na próxima vez em que ele apareceu no estúdio, e nessa época ele estava sofrendo muito. Ele mal conseguia ficar em pé. Eu toquei para ele uma parte da demo, comigo cantando, que era incrivelmente alto e era muito difícil. No passado, o Freddie sempre gritava comigo, tipo: 'Isso está muito alto! Você está acabando com a minha bela voz!' [...] Mas daquela vez ele apenas ouviu e disse: 'Eu vou conseguir, não se preocupe.' Então ele tomou umas doses de vodca pura, se apoiou na mesa e se dedicou a cantar toda aquela música. E foi incrível! Acho que ele fez três ou quatro takes, e simplesmente arrasou nos vocais. É como se tivesse alcançado um lugar que nem ele mesmo havia chegado antes. Lembro de ter dito a Freddie 'Não quero que você se machuque'. Sabe, 'Não se force a fazer isso se não vai se sentir bem', mas ele respondeu 'Eu consigo, Brian!' E conseguiu mesmo! Foi lindo. Acredito que seja uma de suas melhores performances de todos os tempos. É incrível", concluiu.
Por ter sido lançada no auge da era grunge, "The Show Must Go On" não foi lá um grande sucesso. Nas paradas do Reino Unido, seu single chegou à 16ª colocação, e nas paradas de rock mainstream da Billboard não passou de #46. Tanto nos Estados Unidos quanto no Reino Unido, foi apenas disco de ouro, atingindo 500 mil e 400 mil cópias vendidas, respectivamente. Apesar disso, com o passar dos anos, foi crescendo junto aos fãs a ponto de se tornar uma das músicas favoritas de muitos. Seu clipe, foi feito compilando trechos de vídeos antigos do Queen por conta da incapacidade do vocalista de participar de filmagens.
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