Já havia clima de tensão entre Luis Mariutti e Ricardo Confessori, diz Alírio Netto
Por Gustavo Maiato
Postado em 26 de julho de 2023
O vocalista Alírio Netto, ex-Shaman, participou de entrevista ao Heavy Talk. Na ocasião, ele refletiu sobre as tensões entre o baixista Luis Mariutti e o baterista Ricardo Confessori, que acabaram levando ao fim da banda.
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"Acho que todos os outros caras devem pensar também, entendeu? Cada um tem a sua maneira, né, a sua visão. Ninguém é dono da verdade, mas eu acho que poderia ter sido tudo feito com mais... Enfim, depois das coisas que Ricardo falou, a gente podia ter lidado de maneira diferente, mas isso é apenas minha opinião, cara.
Então, assim, eu acredito que aquilo ali foi apenas o estopim para algumas coisas que já estavam acontecendo. Percebi que havia uma tensão entre o Luis e o Ricardo. Lembro que a gente chegou a conversar várias vezes com o Ricardo, tipo: 'Cara, não é legal fazer isso, entendeu?'
Não é legal para você e não é legal para a banda. Acho que o mundo está mudando, né? Mas enfim, cada um... O cara tem 50 anos, ninguém vai ensiná-lo com essa idade, porque ele vai querer acreditar no que quiser", disse.
Confira a entrevista completa abaixo.
O fim do Shaman
Pouco após o anúncio do fim do Shaman,o baterista Ricardo Confessori deu sua versão dos fatos. Relembre, na matéria publicada pelo Whiplash.Net na época.
"É o seguinte, galera. Hoje estou aqui para falar sobre meus próximos passos no rock. Como vocês sabem, sou roqueiro raiz. Comecei a gostar com caras do Black Sabbath, que fazia um som pesado. Você olha para eles e vê que eram caras alfa, não estavam aí para ninguém. Enfiavam o pé no sexo, drogas e rock ‘n’ roll.
A galera enlouquecia pelo estilo de vida que os caras tinham. Eram caras que chamamos hoje de red pills. Pessoas que não estão aí para nada nem para ninguém. O que interessava era encher a cara e tocar com groupies. Em algum momento na história do rock, acabaram caras assim. Agora, o cara tem que pedir para a esposa dele para ensaiar. Ela pode achar que está passando muito tempo no ensaio. Tem que ter um alvará de turnê.
Às vezes, podem dizer que a letra da sua banda não é legal, é machista. Acho que esses roqueiros modernos são os blue pill. São as pessoas que fazem tudo certinho como a mulher quer. Primeiro vem o casamento, o amor da vida dele. Depois, vem a banda, depois o rock. O rock nunca foi isso. O rock veio de caras brutos, com parafusos soltos na cabeça. Quero dizer que me considero um patriota. Moro no Brasil e já me chamaram para sair muitas vezes. Para quem não sabe, casei na Alemanha e cheguei a morar lá. Não suportei.
Me interesso pelo rock daqui. Quero fazer isso crescer. Vejo outros músicos do Brasil querendo bombar lá fora, no Japão, EUA e Europa. Não quero dar uma de Edu Falaschi. Ninguém é chupa pau de gringo não. O público quer ver o roqueiro de verdade. Sempre entrei na música não pela técnica. Nunca fui um cara extremamente técnico. Eu poderia ser, mas sempre dei preferência pelo feeling e atitude.
Estou com minha banda Confessori Band de volta. Voltamos para a ativa. Vamos sair com material novo logo mais. É meu trampo solo e as pessoas que vão tocar comigo se encaixam nesse perfil. Chega de músicos blue pill, que tem medinho de falar qualquer coisa. Que metem o rabo no meio das pernas por qualquer coisa. A gente é rock!", disse.
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