Joe Perry comenta "Powerage" como seu álbum favorito do AC/DC
Por André Garcia
Postado em 01 de julho de 2023
Quando se fala de AC/DC com Bon Scott, se pensa em "Highway to Hell", e, quando se fala na banda com Brian Johnson, se pensa em "Back in Black"; mas ela foi bem mais que apenas isso.
Aqueles que conhecem o AC/DC para além de seus dois maiores clássicos sabe que outro trabalho digno do status de obra-prima é "Powerage" (1978). O disco marcou o auge dos irmãos Young em sua primeira fase, já que "Highway to Hell" seguiu por outro caminho, visando mais conquistar o mercado norte-americano. 'Powerage' tirou proveito da experiência do grupo, que já tinha uma discografia considerável e muitas turnês na bagagem para expandir suas composições além das estruturas básicas do rhythm & blues.

Joe Perry, o eterno guitarrista do Aerosmith, concorda tanto com isso que tem a ele como seu disco favorito do AC/DC. À Classic Rock ele escreveu uma verdadeira declaração de amor ao "Powerage" como uma demonstração soberba de rock n roll.
"Fui apresentado ao AC/DC quando tivemos a sorte de tê-los como banda de abertura em shows da turnê de 'Draw The Line', em 1977. Fiquei completamente impressionado na primeira vez que os vi e sou um grande fã desde então. [...] Eles não precisavam de produção, não precisavam de luzes, só precisavam de suas guitarras, amplificadores e muitos watts, e então eles botavam a casa a baixo. Eram caras bem tranquilos fora do palco, mas assim que subiam ao palco, incendiavam tudo. Eles são o rock n roll em seu estado puro, a coisa real."
"Todos os primeiros discos com Bon Scott são ótimos, e Powerage é definitivamente um dos meus favoritos. Para mim, ele capturou perfeitamente tudo que eu gosto no rock n roll, em sua essência. Como guitarrista, obviamente sou atraído pelos riffs e pela forma como o Angus [Young] simplesmente arrebentava em cada solo, mas aí então você ouve as histórias que Bon contava, o que era maravilhoso. Conheci bem Bon, já estive algumas vezes com ele até tarde da noite, e aquele cara era de verdade: ele era alguns anos mais velho que os outros, mas definitivamente fazia parte da família e vivia a vida do rock'n'roll ao máximo. Quando você ouvia uma música como 'Sin City', dava para ver que ele já tinha visto de tudo, e sabia da vida."
"Muita gente só conhece 'Highway To Hell' e 'Back In Black', que são os álbuns com os grandes hits radiofônicos, mas tem tantas músicas incríveis em 'Powerage'... O pessoal que realmente curte AC/DC sabe que 'Powerage' é um álbum clássico, um marco. A cada álbum lançado, eles foram aprimorando seu som básico, não estavam tentando inventar algo novo. Quando chegaram em 'Powerage' as músicas estavam cada vez melhores."
"Tenho o álbum em vinil, eu simplesmente ouvia sem parar: virava o disco e começava de novo. Ele nunca perde seu poder. Essas podem não ser as músicas do AC/DC que você ouve no rádio [...], mas ninguém escreve rock'n'roll melhor do que aquilo. [...] Quando ouço 'Powerage', ouço de novo aquela incrível banda que fez uns 30 ou 40 shows com a gente naquela época — e botou para quebrar em todas as noites. É um disco brilhante, rock n roll puro, e jamais envelhecerá."
Quinto álbum de estúdio do AC/DC, foi o último produzido pela dupla Harry Vanda e George Young (irmão mais velho de Angus e Malcolm). Marcou também a substituição do baixista Mark Evans por Cliff Williams. Apesar as vendas terem sido inicialmente decepcionantes, ao longo da turnê conseguiu se recuperar e ultrapassou seu antecessor, o pauleira "Let There Be Rock" (1977). Assim como Joe Perry, Eddie Van Halen e Keith Richards já apontaram 'Powerage' como disco favorito do AC/DC.
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