O que Rafael Bittencourt pensou nas duas vezes em que recusou tocar "Carry On"?
Por Gustavo Maiato
Postado em 11 de agosto de 2023
O Angra é famoso por diversos clássicos como "Heroes of Sand", "Nova Era" e "Angels Cry", mas provavelmente seu hit mais icônico é "Carry On", eternizada na voz de Andre Matos.
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Em episódio do Amplifica, Rafael Bittencourt refletiu sobre as duas ocasiões em que decidiu não tocar o clássico no show do Angra.
"Ocorreram duas situações em que decidimos não tocar ‘Carry On’. Nós nos recusamos a tocá-la, vamos ver o que acontece. De repente, um cara pode aparecer e pedir a música, e falar: ‘Paguei pelo ingresso.’
Eu penso que o artista sempre deve considerar que precisa educar o público. Dizer: ‘Estou trazendo uma nova influência’, e aí eu vi que as pessoas não conhecem, mas é algo que eu gosto. Eles estão esperando o que eu já faço, né? Como trazer essa novidade? É necessário educar, explicar.
Assim, o público começa a aprender também, compreendendo no final. Eles podem até gostar ou não, mas pelo menos entenderam. Não adianta apenas jogar algo novo e dizer: ‘Não entendam, apenas aceitem. Se você não entende, é um equívoco’".
Em outra ocasião, o ex-guitarrista da banda André Bastos falou ao canal Thales Música Virtuosa sobre como foi presenciar a concepção da música.
"Essa é uma história legal. Lembro de alguns detalhes dessa época. As reuniões de composição eram na casa do Rafael Bittencourt. Lá tinha um piano em um salão na parte de baixo da casa dele. Foi lá que o Luis Mariutti deixou todo mundo de queixo caído mostrando o que ele tocava!
Quando juntamos a banda inteira em certa ocasião, o Andre disse que estava compondo uma música. Ele sentou ao piano e começou a tocar aquele riff que é meio uma polca. Era a introdução de ‘Carry On’. Chamávamos a música de ‘Tum Pananan’! Não tinha nome na época! Ele inventou uma letra na hora.
A introdução não tinha aquele um milhão de notas, era algo mais melódico mesmo. Isso era o que tocávamos na guitarra na época. Aquela parte antes do two hands não tinha. A parte do two hands em si era um acorde diminuto e depois vinha o verso. Aí o refrão parecia muito ‘Guardians’ do Helloween. O Rafael achava parecido com ‘Eagle Fly Free’, mas na real era igualzinho a ‘Guardians!’, era o mesmo tom!
Aí tinha os dois solos e voltava para o refrão. O Andre Matos chegou com essa estrutura já pronta. Quando eu ensaiei, era assim. Quando o Andre Zaza entrou na banda, começou a dar uma linguagem mais guitarrística e entrou um monte de nota. A parte no meio instrumental que fica o baixo, quem pensou foi o Zaza também. Ele fez baseado na música ‘Slip of the Tongue’, do Whitesnake. Eles chamavam essa parte de ‘Parte Megadeth’, mas enfim. O Zaza deu para ‘Carry On’ uma cara mais virtuose. Antes era um power mais melódico", concluiu.
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