Edu Falaschi compõe só para "manter barra lá em cima"? Vocalista dá resposta sincera
Por Gustavo Maiato
Postado em 11 de setembro de 2023
Quem acompanha Edu Falaschi sabe que desde o Angra ele sempre teve predileção por músicas velozes, como "Nova Era", Spread Your Fire" e "Temple of Hate". Mais recentemente, na carreira solo, os álbuns "Vera Cruz" e "Eldorado" seguem a linha.
Em entrevista ao Ibagenscast, Edu Falaschi explicou que faz músicas assim simplesmente porque gosta do estilo e não por uma obrigação de "manter a barra no alto".
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"Nunca ninguém se questionou ou vi alguém perguntando algo assim. Porque muita gente comenta enquanto assisto às lives e a alguns reacts, né? E aí, eles falam muito sobre a questão de manter a "barra" lá em cima, ou seja, que eu quero manter um alto padrão, músicas rápidas e tudo mais. E a minha pergunta é: nunca ninguém se perguntou por que faço isso?
É engraçado porque eu não entendo por que alguém iria criar música apenas para manter alguma coisa, isso é loucura. Eu nunca faria isso na minha vida. São 30 anos de carreira, mas é algo que eu gosto cara, de ser virtuoso, entende? Eu lembro quando comprei o primeiro disco do Yngwie Malmsteen, eu era muito fã, ainda sou. Eu sempre gostei dele, então eu continuo fazendo isso.
Eu não vou incluir cinco baladas no disco, entende? Então, a gente tem esse pensamento. É óbvio, porque senão fica chato ficar muito lento, ou ao contrário, só colocar coisas rápidas também fica chato. Mas, por outro lado, é preciso pensar melhor nessa linguagem, especialmente no ‘Eldorado’. Tem que haver um equilíbrio, certo?"
A carreira de Edu Falaschi
Ainda refletindo sobre os direcionamentos de sua própria carreira, na mesma entrevista, Edu Falaschi comentou sobre a busca pelo pioneirismo.
Quando questionado se o estilo de convidar muitos artistas, como ocorreu em "Eldorado", se tornaria uma característica constante em sua carreira, similar ao que Tobias Sammet fez com o Avantasia, o renomado astro do metal nacional explicou que não vê seu legado artístico seguindo essa mesma direção.
"Eu tenho um grande apreço pelo pioneirismo, você sabe? Acho que Tobias Sammet já explorou a ópera rock de forma notável. Talvez, se eu seguisse essa abordagem, as comparações seriam inevitáveis, como 'Ah, esse cara está tentando criar o Avantasia brasileiro'. Obviamente, como minha obra é uma trilogia, no final, sinto vontade de explorar algo relacionado a isso. Seria algo que aconteceria de forma mais natural."
Edu Falaschi e power metal
O mais interessante nessa história da relação atual de Edu Falaschi e o power metal é o fato de que seu fiel guitarrista Roberto Barros, famoso pela velocidade, não curte muito o estilo, como ele disse em entrevista a Gustavo Maiato publicada por Emanuel Seagal.
"Na verdade, não me considero um guitarrista de power metal! Na real mesmo, a única banda de power metal que eu ouvi na minha vida foi Angra. Só fui ouvir depois de muito tempo. Meu começo foi no hard rock. Eu era apaixonado pelo Slash, do Guns N’ Roses, depois fiquei apaixonado por Dr. Sin, Mr Big, Racer X. Não gostava de power metal. Nunca falei isso em uma entrevista.
Quando um amigo meu me apresentou Angra, lá para 2001, foi quando eles lançaram o single do "Acid Rain". Lembro que fui pesquisar no Whiplash, ouvimos e me apaixonei. Adorei essa guitarra bem virtuosa. Essa música não é um power metal, ela tem uma pegada hard rock. Uma coisa que eu gostava muito era o vocal, sempre gostei muito. Amo hard rock até hoje por causa desses vocais poderosos!
Quando ouvi o Edu, na minha cabeça, era algo diferente. O power era algo mais gritado, não me comunicava muito com isso. Não entendia muito bem. Quando ouvi o Angra, foi com a voz do Edu. Não conhecia nada de antes. Era uma voz poderosa, então fui buscar as coisas que ele lançou antes. Fui ouvir o Symbols e tudo mais. Quando saiu o "Rebirth", me apaixonei. Ouvi também Symphony X na época, mas eles foram mais para o prog. Não conheço nada!"
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