A falta de coragem que levou Iggor Cavalera a dar migué para não tocar com Ratos de Porão
Por Gustavo Maiato
Postado em 23 de outubro de 2023
Nos anos 1980, São Paulo era um caldeirão fervilhante de culturas musicais e juvenis. No entanto, duas tribos musicais se destacavam e, muitas vezes, se encontravam em desacordo: os metaleiros e os punks. Essas duas subculturas musicais eram conhecidas por sua paixão pela música, mas também por suas diferenças fundamentais.
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Os metaleiros eram conhecidos por sua afinidade com o heavy metal, com suas guitarras distorcidas e letras muitas vezes obscuras e intensas. Eles se vestiam com jaquetas de couro, botas de cano alto e adoravam bandas como Iron Maiden e Metallica. Os punks, por outro lado, abraçavam um ethos mais antiestablishment e político, com uma atitude de "faça você mesmo" que se refletia em sua música rápida e crua e em suas roupas repletas de patches e tachas.
Essas duas tribos, apaixonadas por suas respectivas músicas e estilos de vida, frequentemente entravam em conflito. Os shows e eventos na cidade muitas vezes se tornavam arenas de confronto entre metaleiros e punks, alimentando uma rivalidade que parecia intransponível.
No entanto, em 1987, algo notável aconteceu que começou a amenizar essa tensão. As bandas Sepultura e Ratos de Porão, cada uma representando uma dessas tribos, decidiram se unir para um show conjunto. O evento foi histórico não apenas por sua qualidade musical, mas também por seu impacto social.
O show conjunto de Sepultura e Ratos de Porão desafiou as expectativas e preconceitos de ambos os grupos de fãs. Pela primeira vez, os metaleiros e punks compartilharam o mesmo espaço, não como rivais, mas como amantes da música. O evento marcou uma virada, sinalizando que a música podia unir em vez de dividir.
No livro "Sepultura: os primórdios", editado pela Estética Torta, os autores contam que essa tensão entre as tribos fez com que Iggor Cavalera, então baterista do Sepultura, fingisse quebrar o próprio braço para evitar ter que tocar e encarar os punks. O livro está com desconto de 20% no site da editora com o cupom WHIPLASH20.
"Logo depois de terminar a gravação, o Sepultura viajou para São Paulo, onde participou de um show histórico com o Ratos de Porão no Mambembe. Histórico porque foi a primeira vez que uma banda punk e uma de metal tocavam juntas em São Paulo, cidade tradicionalmente dividida por rixas entre as duas tribos, punk e metal. Iggor estava com tanto medo de tocar com o Ratos que engessou o braço e disse que havia se machucado andando de skate. Ninguém acreditou na lorota e forçou a barra para ir a São Paulo. O temor sumiu assim que o Sepultura subiu no palco e viu a plateia, composta de metaleiros e punks se comportando como irmãos".
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