Por que Roland Grapow evitou tocar hits do Helloween quando veio ao Brasil?
Por Gustavo Maiato
Postado em 05 de outubro de 2023
Em janeiro de 2020, Roland Grapow, famoso pela associação com bandas como Helloween e Masterplan, veio ao Brasil para série de shows. Ele ficou bastante conhecido por substituir Kai Hansen no Helloween, em 1989. Foram 11 anos na banda, onde gravou os grandes álbuns "Pink Bubbles Go Ape" (91), "Chamaleon" (93), "Master Of The Rings" (94), "The Time Of The Oath" (96), "Better Than Raw" (98), "Metal Jukebox" (99) e "The Dark Ride" (00).
Depois que deixou o Helloween, Grapow montou o Masterplan, banda que mantém firme até hoje, e já registrou 6 álbuns de estúdio, 3 EPs e 1 álbum ao vivo. "Pumpkings", lançado em 2017, é o mais recente e traz músicas de seu período no Helloween – músicas que ele foi co-autor. Ele também já lançou 3 álbuns solo.
Quando veio ao Brasil, entretanto, Grapow preferiu focar no Masterplan do que no Helloween na hora de decider o setlist. Em entrevista a Gustavo Maiato, Fabio Carito, que integrou a banda, explicou o motivo por trás dessa decisão.
"Nessa ocasião da turnê do Roland Grapow pelo Brasil, tocamos muito mais Masterplan do que Helloween. Naquele momento, ele estava um pouco distante dos integrantes da banda. Tinha uma questão ali com os caras. Eu não soube, ele não abriu para a gente. Mas ele tinha uma distância com o Uli Kusch. Por conta disso, ele não quis tocar as músicas do Uli. Tocamos muito Masterplan e as músicas que ele compôs para o Helloween. Foi uma turnê um pouco complicada porque foi no comecinho do covid.
A doença estava na China ainda e ninguém sabia como agir. Usa máscara? Não usa? Ele estava sem saber se ia rolar o show, se ele ia voltar para a Europa... Ninguém sabia o que estava acontecendo. Hoje, sei que ele reatou com o Uli. Ele falou para mim que a próxima vez que ele voltar ao Brasil, ele vai incluir mais músicas do Helloween e canções que o Uli teve participação. Não é uma questão de autorização, é que deve ter rolado alguma briga e tal. Vai ser um setlist mais focado no Helloween".
Tretas de Roland Grapow e Helloween
Conforme explicado por Igor Miranda em seu artigo, o guitarrista Roland Grapow manifestou, durante uma entrevista ao canal de Rodrigo Flausino no YouTube, seu descontentamento em relação à maneira como o vocalista Andi Deris o tratou desde a reunião do Helloween. Nesse momento, Michael Kiske e Kai Hansen retornaram à banda, que agora se apresenta como um septeto, deixando Grapow, que fez parte da formação por 12 anos, fora dos planos.
Em resposta às declarações de Grapow, Andi Deris, em uma recente entrevista ao Metal Shock Finland, justificou a exclusão do guitarrista e do baterista Uli Kusch da reunião, alegando traição à banda. Deris afirmou: "Eles tiveram que sair da banda porque traíram a banda. [...] Eles provaram que não são legais e traíram a banda na época deles. Tiveram que sair porque a confiança havia acabado. Por que eu os convidaria para o palco? Roland era, eu suponho, um amigo próximo a mim. Meu mundo caiu quando descobri que ele traiu a banda."
Ciente dessas alegações, Roland Grapow usou a entrevista com Rodrigo Flausino para rebater as acusações de Deris, expressando sua perplexidade: "Andi disse que sou um traidor. Não me importo com o que ele diz, mas não sei por que ele fala isso. Não entendo a razão." Grapow, então, mencionou que pensava ter uma boa relação com o vocalista, destacando encontros recentes e longas conversas. Ele não responsabiliza Deris por sua demissão, mas aponta que ainda existe um inexplicável descontentamento da parte deles. "Não sei o motivo. Quem me conhece, sabe que sou um cara legal que bebe cerveja", afirmou Grapow.
Vale ressaltar que Roland Grapow e Uli Kusch foram demitidos do Helloween em 2001, após desentendimentos sobre a direção musical do álbum "The Dark Ride" (2001), cuja sonoridade mais obscura gerou conflitos com os demais membros da banda - Andi Deris, o guitarrista Michael Weikath e o baixista Markus Grosskopf.
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