Como Dimmu Borgir e Cradle of Filth foram vistos negativamente na Suécia quando surgiram
Por Emanuel Seagal
Postado em 02 de dezembro de 2023
Quem nunca ouviu um fã ditar o que é permitido na música? É aquela pessoa que diz o que é "rock de verdade", o famoso "caga-regra". Toda cena tem um, e o black metal nos anos noventa não foi diferente. O inglês Cradle of Filth, e até mesmo o norueguês Dimmu Borgir, foram alvos de fãs que não aprovavam o black metal sinfônico tocado por eles, e muito menos sua crescente popularidade.
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Em 1998, ano em que o Cradle of Filth lançou seu terceiro disco, "Cruelty and the Beast", e um ano após o Dimmu Borgir lançar "Enthrone Darkness Triumphant", o sueco Erik Danielsson formou o Watain, inspirado pelas bandas norueguesas e a aura de mistério e maldade que as acompanhavam. "O final do século XX foi deprimente para o black metal. Sentimos que bandas como Cradle Of Filth e Dimmu Borgir tinham muito pouco a ver com esse frenesi fanático e assassino que nos intrigava", afirmou o músico, em conversa com Jonathan Selzer, da revista Metal Hammer. "Na Suécia havia uma história totalmente diferente acontecendo com bandas como Funeral Mist, Malign e Ofermod. Eles eram super fanáticos e pareciam um clube de motoqueiros. Isso nos atraiu ainda mais. Aos 16, 17 anos, tínhamos vontade e raiva, e sentíamos que, se íamos fazer isso, precisava ser algo que funcionasse nesse cenário."
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Segundo Erik, há tipos distintos de ódio. "Existe um tipo nobre de ódio, que ocorre por amar muito algo e defendê-lo até a morte. Muitas bandas de black metal têm essa abordagem anti-cristã ou niilista, mas é difícil para mim me identificar com isso, mas as únicas coisas pelas quais sinto desprezo são aquelas que tentam limitar, bloquear ou aprisionar as coisas que amo, então você poderia dizer que meu ódio veio de um amor profundo pelas coisas que o black metal representava", explicou.
Vinte e cinco anos após sua criação, o Watain conta com uma carreira tão consolidada quanto Dimmu Borgir e Cradle of Filth, mesmo percorrendo um caminho distinto. Em outro ponto da conversa, o frontman ponderou sobre o sucesso e contou o que considera ser sua maior realização pessoal. "Acho que é perceber que me mantive firme no que se refere a ideia de que não vejo por que uma banda deveria se tornar cada vez pior no que fazia no início. Olhe para qualquer pintor, qualquer escritor ou artesão — todos eles ficam cada vez melhores no que fazem. Não estou dizendo que ficamos melhores, mas me sinto muito mais capaz e muito mais consciente do que nunca de como viver o Watain. Adoro ver a progressão e adoro perceber que ainda não pisamos na bola", concluiu.
"Die in Fire Live in Hell - Agony & Ectasy Over Stockholm", o álbum ao vivo de comemoração de vinte e cinco anos do Watain, foi lançado no dia 3 de novembro pela Nuclear Blast.
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