A censura de "Todos os Santos", do Moonspell, pelo Youtube
Por Michel Sales
Postado em 25 de junho de 2024
A faixa "Todos os Santos", do extraordinário álbum "1755" lançado pelo Moonspell em 2017, teve seu videoclipe censurado pelo YouTube em 2024.
Destacando-se por seu caráter conceitual e pelo uso inovador da língua portuguesa no metal, "1755" proporciona até hoje uma experiência auditiva rica e culturalmente significativa, tornando-se uma obra única na discografia da banda.
Abençoado de simbolismo e referências históricas, a letra de "Todos os Santos" reflete sobre a tragédia e destruição causada pelo terremoto que ocorreu em Lisboa no Dia de Todos os Santos, um importante feriado religioso na época. A canção combina elementos de crítica social e espiritualidade, questionando a fé e a justiça divina diante de uma calamidade de tal magnitude.
Na produção de seu videoclipe, o Moonspell, inteligentemente, refletiu o poder instigado por autoridades públicas e líderes religiosos contemporâneos, destacando, principalmente, as falácias de figuras presidenciais como Lula, Saddam Hussein, Osama bin Laden, Vladimir Putin, Yasser Arafat, Nicolás Maduro, Hugo Chávez, Angela Merkel, Bill Clinton, Kim Jong Un, Donald Trump, entre outros. O vídeo critica esses políticos, santificados pelas grandes nações, que, diante dos terremotos oriundos da realidade, nada ajudou a garantir a dignidade máxima aos sofrimentos dos mais humildes.
Musicalmente, "Todos os Santos" combina elementos do metal gótico e sinfônico com influências da música tradicional portuguesa. A música apresenta riffs pesados, orquestrações épicas e intensas de Fernando Ribeiro, criando uma atmosfera sombria e dramática que é característica da banda. A fusão de instrumentos tradicionais portugueses com o metal moderno é uma das marcas distintivas deste álbum.
Quanto à censura, infelizmente ou felizmente ela é uma supressão da comunicação considerada inaceitável pelo governo, por organizações privadas ou por indivíduos. E esta prática pode mesmo se manifestar de várias formas e em diferentes contextos, incluindo censura política, moral, militar, religiosa e corporativa. Sendo assim, a censura pode ser imposta em qualquer meio de comunicação, como jornais, revistas, livros, filmes, músicas, discursos públicos e internet, como foi o caso de Todos os Santos.
Na era digital, a censura tem assumido novas formas, como o bloqueio de sites, a remoção de conteúdo nas redes sociais e a vigilância digital. Plataformas de mídia social como Facebook, Twitter e YouTube enfrentam desafios contínuos para equilibrar a moderação de conteúdo e a proteção da liberdade de expressão.
1755
"1755" é um álbum conceitual, centrado no terremoto que devastou Lisboa em 1º de novembro de 1755, um dos eventos mais catastróficos da história de Portugal. Este evento teve um impacto profundo na sociedade e na política europeia da época, influenciando filosofias e debates sobre religião, ciência e a natureza do mal.
As letras de 1755 abordam o terremoto e suas consequências, explorando temas como destruição, fé, dor e resistência. As músicas retratam não apenas o evento em si, mas também o impacto emocional e espiritual sobre as pessoas que viveram essa tragédia.
FAIXAS A FAIXA
"Em Nome do Medo" - Introduz o clima sombrio e épico do álbum; "1755" - Uma faixa-título que descreve o evento do terremoto; "In Tremor Dei" - Uma colaboração com o cantor Paulo Bragança, mistura metal com fado; "Desastre" - Descreve a devastação e o caos causados pelo terremoto; "Abanão" - Outra faixa que aborda o impacto físico e psicológico do desastre; "Evento" - Fala sobre as consequências do terremoto; "1º de Novembro" - Uma canção sobre o dia específico do terremoto; "Ruínas" - Retrata a cidade destruída e o sentimento de perda; "Todos os Santos" - Fala sobre o feriado do Dia de Todos os Santos e a tragédia que aconteceu nesse dia; "Lanterna dos Afogados" - Um cover da banda brasileira Os Paralamas do Sucesso, adaptado ao tema do álbum.
LEGADO
"1755" solidificou a posição dos Moonspell como uma das bandas de metal mais inovadoras e respeitadas de Portugal. O álbum é visto como uma obra-prima que combina história, cultura e música de maneira única. Além de seu sucesso comercial, "1755" teve um impacto significativo na cena do metal, demonstrando que é possível criar música pesada com profundidade lírica e cultural.
Nessa pegada, "1755" é um álbum que exemplifica a capacidade de Moonspell de inovar e se reinventar, abordando temas complexos e relevantes de uma maneira que é ao mesmo tempo poderosa e emocionalmente ressonante. É um testemunho do talento e da visão artística da banda, consolidando seu lugar na história do metal.
MOONSPELL
O Moonspell é um grupo português de metal gótico, formado em 1992 na cidade de Brandoa, Amadora. Eles são uma das bandas de metal mais bem-sucedidas e influentes de Portugal, conhecidas por seu som único que também mistura elementos de black e doom metal, influências de música eletrônica, industrial e folk.
PRINCIPAIS ÁLBUNS
- "Wolfheart" (1995): Este é o álbum de estreia da banda e é frequentemente citado como um dos mais importantes em sua discografia. Combina elementos de black metal com um estilo gótico mais melódico e atmosférico.
- "Irreligious" (1996): Considerado um clássico do metal gótico, esse álbum ajudou a banda a ganhar reconhecimento internacional. Inclui faixas notáveis como "Opium" e "Full Moon Madness".
- "Sin/Pecado" (1998): Este álbum mostra uma evolução no som da banda, incorporando mais influências eletrônicas e industriais.
- "The Butterfly Effect" (1999): Continuou a exploração de novos territórios sonoros, sendo um dos trabalhos mais experimentais da banda.
- "Memorial" (2006): Este álbum marcou um retorno a um som mais pesado e agressivo, sendo muito bem recebido pela crítica e pelos fãs.
- "Night Eternal" (2008): Outro álbum que solidificou o status da banda no cenário internacional, com uma sonoridade poderosa e épica.
IMPACTO
A banda Moonspell é extremamente conhecida como um dos grupos mais importantes e influentes de Portugal. Eles abriram portas para muitas outras bandas de metal portuguesas e ajudaram a colocar o país no mapa da música metal internacional. A banda tem uma base de fãs dedicada em todo o mundo e continua a ser uma força ativa na cena musical, lançando novos álbuns e fazendo turnês regularmente.
FORMAÇÃO
Fernando Ribeiro (V); Ricardo Amorim (G); Pedro Paixão (W/G); Aires Pereira (B); Miguel Gaspar (D).
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