O arrependimento de Max sobre algo que poderia ter salvo formação clássica do Sepultura
Por Emanuel Seagal
Postado em 21 de junho de 2024
Em março de 2008 o Cavalera Conspiracy lançava "Inflikted", que para muitos era apenas mais um disco, mas para Max e Igor Cavalera representava muito mais, foi um registro do reencontro de dois irmãos que ficaram separados por quase dez anos, após a saída de Max do Sepultura em 1996. Pablo Miyazawa, em matéria publicada em março de 2008 na edição brasileira da revista Rolling Stone, conversou com os dois, que contaram sobre todo esse processo.
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O repórter visitou o rancho de Max Cavalera em Phoenix. Max estava animado após tocar com o Soulfly na África do Sul e Leste Europeu. "Eu e o Igor fomos ver o Queen em São Paulo (em 1981), foi o primeiro show que assistimos na vida. Lembro que fiquei arrepiado, achei aquilo tão legal, e a gente nem era fã. Então imagino esses fãs desses países como Turquia, Indonésia, que esperam 20 anos para ver um show nosso. Por isso que quando estamos em turnê eu curto apertar a mão da molecada, tirar foto", contou Max.
Apesar das instruções recebidas para não falar sobre o Sepultura, o tema era inevitável, então Max foi questionado se o assunto era tabu ou se o irritava. "Não é que irrite, não me importo em falar. Um exemplo: você está divorciado, e as pessoas só querem falar sobre sua ex-mulher. Você fala, mas não é a coisa mais agradável do mundo. Tem coisa agradável pra se falar: as histórias do passado, coisa legal pra caralho. Mas quando fala em briga, o que rolou, aí eu não curto. Acho que é perda de tempo", afirmou.
Em outro ponto, Max foi questionado se sentia algum arrependimento ou se faria algo diferente, olhando em retrospecto, mais de dez anos depois. "A única coisa… Se tivesse rolado hoje, sugeriria um ano de férias para todo mundo. É uma coisa esperta para se fazer, mas a gente não teve a sabedoria na época, éramos moleques, com o mundo explodindo na mão, sem saber o que fazer com o sucesso. Se eu tivesse a chance, diria isso: todo mundo sem se ver por um ano. Mas aí tem outro lado: se tivesse feito isso, talvez o Sepultura se tornasse uma das bandas mais babacas do mundo, igual a outras que tocam até hoje. O sentimento não está mais lá, é só pelo dinheiro ou pela obrigação", disse.
Em outro momento, o repórter da Rolling Stone contou para Igor sobre o arrependimento do seu irmão e a ideia de dar uma pausa no Sepultura para acalmar os ânimos. "Muita banda fez isso e não deu certo, mas não sei se resolveria. Seria uma alternativa, a gente dar um tempo e ver depois o que fazer com a cabeça mais fria. Mas na época não foi, nem ele propôs, nem a gente. Foi uma coisa que aconteceu", comentou o baterista.
Se por um lado o Sepultura como conhecemos mudou, a reunião dos dois irmãos rendeu muitos frutos. O Cavalera Conspiracy, lançou quatro álbuns autorais antes de começar em 2023 a trilogia de regravações dos primeiros discos do Sepultura, com "Morbid Visions" (2023), "Bestial Devastation" (2023) e "Schizophrenia" (2024).
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