Kerry King fala sobre atuação de Rick Rubin na produção dos álbuns do Slayer
Por João Renato Alves
Postado em 19 de janeiro de 2025
A relação do Slayer com o produtor Rick Rubin foi importantíssima no início da carreira da banda. A parceria rendeu álbuns seminais, especialmente "Reign in Blood" (1986), obra da agressividade que não encontrou paralelos nem mesmo na própria discografia do grupo em momentos posteriores.
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No entanto, a relação não foi sempre harmoniosa. O guitarrista Kerry King foi questionado sobre o assunto em entrevista ao Lipps Service. Ele respondeu, conforme transcrição do Ultimate Guitar:
"No começo, Rick era legal, porque ele estava muito envolvido. Com o passar do tempo, foi ficando cada vez mais distante. Havia pessoas abaixo dele, como seu cara número um na gravadora... Rick simplesmente chegava e dizia o que achava — e eu e Jeff (Hanneman, falecido guitarrista) somos teimosos. Então, ele chegava, sugeria algo e nós dizíamos não com firmeza. Rick respondia: 'É, é sua carreira.' Só piorou cada vez mais. Tipo, quando 'Seasons (in the Abyss, 1990)' saiu, ele era como um fantasma."
Apesar de ser um nome consagrado na indústria, Rubin está longe de ser unanimidade. Nomes como Corey Taylor (Slipknot), Josh Klinghoffer (ex-Red Hot Chili Peppers) e Velvet Revolver já teceram críticas ferrenhas aos métodos usados pelo produtor, especialmente por conta de ideias excêntricas e uma postura ausente em boa parte das sessões de gravação.
Outro exemplo está nos três integrantes do Black Sabbath envolvidos em "13", último álbum de estúdio da banda. Todos falaram abertamente sobre o descontentamento com o trabalho. O guitarrista Tony Iommi declarou, também conforme repercussão do Ultimate Guitar:
"A ideia de Rick Rubin em ‘13’ era nos levar de volta aos tempos do primeiro álbum, resgatar aquele som. Não dá para fazer isso. Não somos mais aquelas pessoas. Não soamos mais como naqueles tempos. Tocamos de modo diferente. As coisas mudam e as pessoas seguem em frente com a vida. Faço o que faço como sou hoje."
Em 2022, o baixista Geezer Butler havia dito ao Trunk Nation, de acordo com o Blabbermouth: "Trabalhar com Rick Rubin foi uma experiência estranha, especialmente quando ele disse para esquecer que éramos uma banda de heavy metal. Tocou nosso primeiro álbum para nós e falou: ‘lembrem-se de quando não havia heavy metal ou qualquer coisa assim, finjam que é o álbum seguinte a este’, o que é uma coisa ridícula de se pensar.
A verdade é que ainda não sei o que ele fez no disco. Houve um dia que Ozzy enlouqueceu porque ele fez, tipo, 10 vocais diferentes, e Rick continuou dizendo: ‘sim, isso é ótimo, mas faça outro’. E Ozzy disse: ‘se é ótimo, por que estou fazendo outro?’ Ele simplesmente pirou.
Ele estava fazendo Tony pegar amplificadores de 1968 – como se isso fosse fazer com que soasse como em 1968. Foi uma loucura. Mas parecia bom para a publicidade e para a gravadora. ‘Se você tem Rick Rubin envolvido, então deve ser bom’, esse tipo de coisa."
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