Gene Simmons reconhece contribuições de Ace Frehley e Peter Criss ao Kiss
Por João Renato Alves
Postado em 07 de fevereiro de 2025
Gene Simmons foi o convidado do primeiro episódio do The Magnificent Others, podcast apresentado por Billy Corgan, líder do Smashing Pumpkins. Nele, falou sobre a química envolvendo a formação original do Kiss. Apesar das rusgas com Ace Frehley e Peter Criss, o baixista e vocalista reconheceu as contribuições do antigos colegas. Ele disse, conforme transcrição do Blabbermouth:
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"Peter Criss remete a quando os bateristas tinham swing. Ele nunca foi um baterista de rock. Isso certamente ajudou a criar aquele som. O bumbo não era muito pesado — como John Bonham que pegou isso de Carmine Appice. Assim, todo mundo escuta todo mundo."
Em relação a como era tocar com Peter, Gene disse: "Nós amávamos o feeling dele. Isso tornava a música perfeita. Mas eu tenho que te dizer que Peter... Nós éramos todos músicos não treinados. Peter tocava por sentimento e não por ideias de verso-ponte-refrão. Ele não entendia muito bem isso porque não era um compositor. Não tocava um instrumento musical; bateria é percussiva, não musical. Então, literalmente, você pode ouvir 'Strutter' ou uma dessas músicas e o padrão na bateria é diferente na ponte, então ele vai mudando padrões entre os versões, riff e refrão. E há uma coisa estranha que funcionou nisso, mas não logicamente. Ele não conseguia tocar como Keith Moon - mas quando Keith Moon tocava com o The Who, você também não conseguia descobrir os padrões."
Ainda assim, como é de se imaginar, sobrou espaço para destilar um veneno no antigo colega. "Eu nunca vou esquecer em um dos primeiros shows, Paul Stanley estava lá usando seu sotaque sulista. 'Tudo bem, pessoal, vamos fazer uma música agora', blá, blá, blá. 'Chama-se 'Strutter'.' E ele está falando sobre uma garota andando pela rua e ele está fazendo aquela coisa, e eu estou ouvindo, 'Psst, psst, psst.' E eu me viro, porque estou um pouco no escuro. Paul está sob os holofotes, e — juro por Deus — Peter diz, 'Qual é essa?' E isso depois de ensaiarmos cem vezes. Ele era um cara sensível. Você vê o modelo e está prestes a tocar uma música. Você sabe onde a ponte e o refrão vão ficar. Oito compassos disso, então você faz o riff. Você sabe para onde vai. Peter estava apenas acompanhando."
Quanto ao guitarrista Ace Frehley, que foi o último a se juntar à formação original da banda, Gene recordou o primeiro encontro. Aconteceu justamente na audição. "Ele imediatamente abriu as portas do que poderia ser, do que deveria ser, porque estávamos em um loft infestado de ratos, talvez duas vezes maior que esta sala, com caixas de ovos que prendíamos na parede que ainda tinham alguns ovos rachados. E, claro, à noite enormes baratas como dinossauros apareciam. Era horrível. Não havia janelas e tudo mais. Mas não nos importamos. Estávamos fazendo essa coisa e, 'Uau', estávamos ouvindo aquele som. E fizemos o teste dos músicos, esse cara entra e pluga a guitarra...
Ace começa a tocar enquanto conversávamos com outro cara. Eu fui até ele e disse: 'Amigo, é melhor você se sentar antes que eu te nocauteie. O que você está fazendo? Estamos conversando.' Ele não sabia que havia outra reunião acontecendo, que precisava sentar lá civilizadamente e esperar sua vez. Quando se levantou, nós dissemos, 'Ok, escuta, amigo, nós vamos fazer uma música chamada ‘Deuce’. Aqui está o riff. Nós faremos dois versos, ponte. Quando o riff começar, eu aponto para você. Você já ouviu o suficiente, faça um solo baseado no riff.' Ele disse, 'Ah, ok.' E nós dissemos, 'Que cara estranho. Ele tem um tênis laranja e um tênis vermelho. Suas pernas são tortas. Oh, esse cara vai ser...' E então ele tocou. Movia-se como se fosse de borracha. Paul e eu olhamos um para o outro, 'Uau!' Às vezes você não sabe o que está procurando, mas certamente identifica quando ouve e vê. E... simplesmente aconteceu."
E ao contrário do que muitos podem imaginar, o Spaceman não era exatamente desleixado no início da carreira, como Simmons recorda. "Vou te contar uma grande informação: Ace levava tão a sério sua guitarra, os solos, que ele ia para casa, aprendia e trabalhava nos solos de guitarra para que quando tocasse ao vivo ou no estúdio, fossem partes iguais ao resto das músicas... Reproduzia nota por nota com o vibrato certo e tudo. Foi quando ele se comprometeu com isso, e essa é uma das coisas que os fãs ao vivo continuavam apontando. 'Uau, soa exatamente como...' Pode apostar que sim, porque ele se importava o suficiente para aprender seus próprios solos... Suas influências falavam alto: Jimmy Page e Jeff Beck."
A formação original do Kiss permaneceu unida entre 1973 e 1979. Uma reunião acontece em 1996, durando até 2000. Os músicos nunca mais tocaram juntos, mas subiram ao palco do Rock and Roll Hall of Fame para uma homenagem em 2014. A banda encerrou atividades em 2023. Gene Simmons segue na estrada como artista solo.
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