O álbum em que Johnny Depp substituiu "um tiozão gordo que tocou com o Clapton em 76"
Por Bruce William
Postado em 04 de abril de 2025
Johnny Depp até hoje divide opiniões quando o assunto é sua carreira como guitarrista. Integrante do supergrupo Hollywood Vampires, onde toca ao lado de nomes como Alice Cooper e Joe Perry, ele é visto por muitos como um ator que se aventura na música - e não o contrário.
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O executivo Tom Zutaut, por exemplo, conhecido por ter trabalhado com bandas como Guns N' Roses e Motley Crüe, contou que viu uma audição de Depp antes da fama e saiu com uma impressão clara: "O Johnny Depp era o pior guitarrista que eu já tinha visto - mas seu carisma era insano. Eu disse: 'Esse garoto é uma estrela, mas coloque ele na TV, não no palco.'" Já o jornalista Regis Tadeu resumiu isso em tom mais direto: "Johnny Depp é o Marrone do hard rock." Ainda assim, Depp é altamente respeitado no meio musical. Prova disso é que ele esteve ao lado de Jeff Beck durante os últimos momentos de vida do lendário guitarrista - um gesto que vai além de qualquer solo ou acorde.

E lá nos anos noventa, Johnny Depp e Liam Gallagher formaram uma das duplas mais improváveis - e festeiras - daquele cenário onde Hollywood se misturava ao Britpop. Depp, já conhecido por seus papéis excêntricos no cinema, e Liam, vocalista do Oasis e símbolo da rebeldia britânica, eram presença garantida em festas regadas a excessos e confusão. A amizade entre os dois era tão próxima que, anos depois, surgiram rumores de que Depp estaria interessado em ser vizinho de Liam em Londres, relembra a Far Out.
Depp chegou a participar do terceiro disco do Oasis, "Be Here Now", lançado em 1997. Ele tocou slide guitar na faixa "Fade In-Out", em uma das colaborações mais curiosas da carreira da banda. Mas, naquela época, os dois estavam no auge do estilo "sexo, drogas e rock and roll". Depp, segundo a imprensa, gastava até 30 mil dólares por mês com vinho, enquanto Liam colecionava histórias de festas intensas e uso pesado de substâncias. Um amigo em comum chegou a dizer que eles eram dois dos maiores "bagunceiros" da geração deles. Por isso, quando surgiram notícias em 2006 de que Depp queria morar ao lado de Liam, ninguém duvidou.

Mas o próprio Johnny negou. Em entrevista ao The Guardian, ele foi direto: "Dez ou doze anos atrás, isso até poderia ser verdade. Sem desrespeito ao Liam, mas acho que ele não é o tipo de vizinho que eu gostaria de ter - e garanto que ele também não me quer como vizinho." Anos depois, os dois se reencontraram no Glastonbury Festival e voltaram a curtir juntos — com direito a conversa em uma tenda, na presença dos filhos de Liam, e, segundo ele próprio, "algumas coisinhas a mais".
A razão para Depp recusar a ideia de morar em Londres não tinha nada a ver com mudanças de estilo de vida. Segundo ele, era uma questão de preservar o mistério: "Eu gosto de Londres, mas se eu morasse lá, pra um forasteiro como eu, ela perderia a magia."

Ah, e sobre aquela participação no disco do Oasis: foi o próprio Noel Gallagher quem explicou o motivo de ter chamado Depp pra gravar a música. "Se ele não estivesse por perto, teríamos que chamar algum tiozão gordo pra contar que tocou com Clapton em 76 e fez um solo de slide que durou meses", disse ele, com a delicadeza habitual de sempre.

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