O dia que RPM conseguiu seu primeiro contrato após Paulo Ricardo fingir ser enfermeiro
Por Gustavo Maiato
Postado em 26 de maio de 2025
Marcelo Rubens Paiva já era um nome conhecido da literatura brasileira quando, no início dos anos 1980, dividia a rotina universitária com Paulo Ricardo. Após o acidente que o deixou tetraplégico, o autor de Feliz Ano Velho contava com a ajuda de amigos próximos — entre eles, o futuro vocalista do RPM.
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Em entrevista ao podcast Amplifica, apresentado por Rafael Bittencourt, Paulo Ricardo relembrou, com bom humor, o momento inusitado que mudou o rumo de sua carreira: "O Marcelo foi chamado para uma reunião na CBS, porque o presidente da gravadora leu o livro dele, viu que ele tinha uma banda, e queria gravar o disco. Só que ele já estava envolvido com teatro, com o próximo livro, e me chamou para ir junto", contou.
O plano era simples: Marcelo recusaria a proposta e indicaria o amigo. "Ele falou: ‘Quando o cara perguntar da música, eu digo que não posso, mas que meu amigo aqui tem uma demo de uma banda’. E foi exatamente o que aconteceu. De repente, aparece o ‘enfermeiro’ com uma fita na mão", riu o cantor.
A fita em questão continha as primeiras versões de músicas que mais tarde fariam história no rock brasileiro, como "Olhar 43" e "Rádio Pirata". Impressionado, o diretor artístico Thomas Munhoz ouviu a gravação e decidiu apostar no material. "Ali começou tudo. Foi a primeira grande porta aberta", relembrou Paulo Ricardo.
Confira a entrevista completa abaixo.
O início do RPM
Após conseguir o primeiro contrato graças a uma fita entregue por Paulo Ricardo na reunião da CBS — episódio em que o cantor se passou por enfermeiro de Marcelo Rubens Paiva — o RPM precisou se estruturar de fato como banda. A prioridade naquele momento era montar a formação completa, começando pela vaga de baterista.
Segundo Paulo Ricardo, em entrevista ao podcast Inteligência Ltda, a primeira tentativa foi com Charles Gavin, então no Ira!. "Ele saiu do Ira! depois de muito mimimi pra entrar no nosso projeto. Dois meses depois, os Titãs estouraram com 'Sonífera Ilha' e levaram o Gavin da gente", contou. Em meio ao vaivém de músicos, o RPM acabou recorrendo a Paulo P.A. Pagni, que entrou como convidado nas gravações do álbum Revoluções por Minuto (1985) e nunca mais saiu.
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