O disco pouco lembrado que, segundo Ian Anderson, apresentou o prog rock à Inglaterra
Por Bruce William
Postado em 16 de setembro de 2025
Para muitos, o rock progressivo é aquele território onde não há limites. Guitarras, flautas, sintetizadores, arranjos sinfônicos e influências de todo tipo se encontram para formar algo que não cabe nos rótulos do rock tradicional. E se Jethro Tull, Yes ou mesmo Frank Zappa levaram esse estilo ao público maior, Ian Anderson faz questão de lembrar que a semente foi plantada antes, em um disco que passou quase despercebido.
O vocalista e flautista do Jethro Tull nunca escondeu o quanto aprendeu observando seus contemporâneos. Chegou a dizer que dividir turnê com o Led Zeppelin foi "revelador", porque percebeu como Jimmy Page e companhia incorporavam elementos do folk, da música asiática e até africana dentro do rock. "O que eles mostraram para seus pares é que havia uma forma poderosa e dramática de tocar rock direto, mas também a possibilidade de introduzir elementos mais ecléticos", recordou, em fala reproduzida na Far Out.

Mas se o Zeppelin o inspirou a experimentar, Anderson aponta que o verdadeiro marco inicial veio de outro lugar. Antes de Clapton formar o Cream, Ginger Baker e Jack Bruce já integravam o Graham Bond Organisation, grupo liderado pelo tecladista e saxofonista Graham Bond. Em 1965, eles lançaram o álbum "The Sound of '65", que segundo Anderson foi um divisor de águas para quem tinha a mente aberta.
"Esse foi o álbum seminal para qualquer pessoa no Reino Unido que estivesse nutrindo pretensões iniciais de jazz-rock", disse o músico. Para ele, as interpretações de standards de jazz e blues, misturadas com composições próprias, abriram caminho para uma geração inteira de bandas britânicas no final dos anos 1960. O trabalho não ganhou a mesma projeção de outros da época, mas funcionou como um manual inicial para músicos que logo fariam o prog florescer.
Assim, mesmo que nomes como Pink Floyd ou Genesis sejam lembrados como pilares do progressivo, Ian Anderson reforça que a fagulha acendeu alguns anos antes. "The Sound of '65" pode não figurar nas listas de grandes clássicos, mas permanece como um daqueles discos silenciosamente influentes, que apontaram para onde a música poderia chegar quando ousava cruzar fronteiras.
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