O Iron Maiden não inventou a "galopada", que Steve Harris se orgulha mas sabe que não criou
Por Bruce William
Postado em 18 de outubro de 2025
Há vários ingredientes no "som do Iron Maiden": guitarras em terças, bateria incansável, linhas de baixo cantaroláveis e letras que parecem roteiros do History Channel. Mas o traço que gruda no ouvido desde a primeira audição é o galope - aquela célula rítmica "tá-ta–tã" que empurra "Killers" (1981) e vira assinatura em "Run to the Hills" (1982) e "The Trooper" (1983).
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Por isso, muita gente supõe que o Maiden inventou o padrão. Não inventou. Quem sustenta essa correção é Daniel Bukszpan, autor do livro "Iron Maiden at 50". Em entrevista ao podcast Booked on Rock, com transcrição do Ultimate Guitar, ele rastreia o galope até a "William Tell Overture" de Gioachino Rossini, estreada em 1829. Popularizada no século XX como a "música do Lone Ranger", a seção final da abertura usa exatamente a célula que hoje associamos ao metal: duas semicolcheias seguidas de uma colcheia (em fala de músico: 1/16 + 1/16 + 1/8). É, nas palavras de Bukszpan, "o exemplo famoso mais antigo".
O fascínio pelo galope não é gratuito. Em termos de percepção, ele cria impulso cinético: o ouvido sente dois "passos" rápidos e um "apoio" mais longo, como cascos acelerando. É um motivo forte e imediato. "Difícil não reagir", diz Bukszpan. No rock pesado, essa célula casa perfeitamente com palhetada alternada, bumbo marcando a condução e baixo dobrando a guitarra: resultado, a música ganha tração sem precisar aumentar o BPM.
Isso não quer dizer que o metal seja o único terreno. O próprio Bukszpan lembra uma rara visita ao pop oitentista em "No More Words", do Berlin. Mas é no heavy que o galope achou casa: além do Maiden, ele aparece de maneiras distintas em "Motorbreath" (Metallica), "Holy Diver" (Dio) e "Raining Blood" (Slayer) - às vezes mais "quadrado", às vezes aproximando-se de ternário (shuffle) por causa do swing de execução.
Onde entra o mérito do Maiden, então? Na popularização e na lapidação. Steve Harris transformou o galope em vocabulário de baixo, não só em "padrão de guitarra". rítmico e melódico ao mesmo tempo, algo que outras bandas costumam reservar à guitarra. Some a isso a bateria empilhando acentos (bumbo em sincronia com os 16ths) e as dobras de guitarra em terças, e você tem o "carimbo Maiden".
Se a genealogia passa por Rossini, por que o ouvido popular cola isso no Maiden? Porque foi com eles que o galope deixou de ser efeito ocasional e virou identidade estilística. A sequência "Killers" → "Run to the Hills" → "The Trooper" cristalizou um imaginário sonoro: cavalgadas, batalhas, perseguições - temas que casam com a pulsação do motivo e com as letras épicas da banda.
Outro ponto: o galope do Maiden não é só motor rítmico, mas também é estrutura narrativa. Em "Run to the Hills", ele ajuda a separar perspectivas líricas; em "The Trooper", simula urgência e choque; ao vivo, vira sinal de chamada (a plateia reconhece nos dois primeiros compassos e reage). O galope funciona como trilha do filme dentro da música, ele mostra o que está acontecendo.
Depois do boom, o padrão se espalhou. Bandas influenciadas pelo Maiden passaram a usar o galope como atalho emotivo: liga-se o padrão rítmito e o público "entende" que é hora de acelerar. Algumas levaram adiante (encaixes em compassos compostos, síncopes, metralhadoras de bumbo); outras apenas copiaram. O fato é: o padrão rítmico sobreviveu como meme musical porque é simples, eficiente e viciante.
Em resumo: Rossini deu ao mundo o exemplo famoso mais antigo; o Iron Maiden deu ao rock/metal o idioma. Não inventaram o cavalo - ensinaram a cavalgar dentro do gênero. E, por isso, quando alguém ouve "tá-ta–tã" a 140–170 BPM com guitarras em terças, pensa menos em óperas do século XIX e mais em um baixista britânico apontando para o horizonte com a cabeça: Up the Irons!
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