Fernanda Lira diz que sofreu preconceito e perdeu muitos amigos por ter parado de beber
Por Mateus Ribeiro
Postado em 20 de abril de 2022
A musicista brasileira Fernanda Lira, baixista e vocalista da banda de death metal Crypta, recentemente participou do Ibagenscast. Durante entrevista concedida ao apresentador Manoel Santos, Fernanda falou sobre a sua decisão de parar de consumir bebidas alcoólicas.
"Eu estou aí há mais de três anos sem beber, né? Gente, lembrando que (...) não estou aqui c*gando regra, tá? (...) Faz o que você quiser aí. Mas quando me perguntam sobre os benefícios [de não beber] eu sempre vou falar e sempre vou falar os meus motivos também", afirmou Fernanda, que na sequência, deu mais detalhes sobre a sua decisão.
"Foi um motivo mais social, moral ético do que pela saúde. Óbvio que na primeira semana sem o álcool eu também senti benefícios absurdos no corpo, né? Mas foi mais por uma questão social mesmo (...). Eu já vinha tentando parar, diminuir o consumo de álcool, porque não estava me fazendo mais muito bem e eu tenho história de alcoolismo na minha família, sei os malefícios que [isso] trouxe para a minha família, então eu já tinha um pouco dessa consciência, mas meu, a vontade de tá lá curtindo sempre foi um pouco maior".
Fernanda também contou o episódio chave que a fez deixar a bebida fora de sua vida. A situação aconteceu quando a frontwoman estava em turnê pelo México (com sua ex-banda, a Nervosa) e uma briga rolou perto do hotel onde ela estava hospedada. "E aí, estava dormindo, aí 4 horas da manhã eu acordo com uns gritos, com uns estouros debaixo da minha janela, falei ‘C*ralho, que p*rra é essa?’. Aí abri a janela, tinha um grupo de amigos (...) numa cena horrorosa assim (...) um cara caído no chão e a mina dando capacetada na cara do cara e o outro cara caído no chão e a outra mina dando chute (...) porradaria geral comendo solta ali e eu fiquei chocada (...). Aí desci lá, tentei chamar a recepcionista (...) só que a gente nunca sabe como funciona isso em outros países, tal, aí eu subi, a única coisa que eu consegui fazer foi gritar pela janela ‘Ow, chamei a polícia e eles estão vindo’. Aí eles pararam [de brigar], se juntaram e foram juntos andando embora. Então você vê que era um grupo de amigos se desentendendo. E estava todo mundo super bêbado, de não conseguir andar, assim. E aí me deu uma epifania louca na minha cabeça (...). Eu lá tipo [pensando] quantas pessoas nesse momento estão brigando por causa do álcool, que estão tendo treta por causa do álcool, amigos que se gostam que estão discutindo por causa de álcool, pessoal que estão falando um monte de verdades que não precisava ali... casal que tá se agredindo por causa de álcool, gente que está tomando facada agora por causa do álcool (...). E aí eu fiquei paralisada e lembrei das coisas da minha família e falei ‘não quero mais contribuir com essa indústria’".
Em outro trecho, Fernanda contou que as pessoas que viviam ao seu redor não lidaram muito bem com a decisão. "Eu nunca julguei ninguém, nem nada. E fui muito julgada. Pra mim, foi muito, 10 bilhões de vezes mais difícil me tornar abstêmia do que vegana. Muito pior, muito mais difícil. Porque a questão do rango, beleza, é um pouco mais difícil de você achar, e tal, mas você se vira, né? O álcool é uma questão social. Você bebe por uma questão social. Tem gente que bebe porque gosta, mas de uma maneira geral, é por uma questão social. Tem gente que não consegue se soltar com a galera se não beber álcool, tem gente que não consegue se divertir se não tiver o álcool e por muito tempo eu senti isso (...). Eu sofri preconceito pra c*ralho, tipo, perdi muito amigo porque eu não bebo mais(...). Hoje eu tenho muito poucos amigos, que são os amigos que tem que ser mesmo. Mas muitos assim, sentiram que eu não me tornei mais interessante, que eu fiquei chata (...), sendo que eu nunca fiz nada demais. Então, foi muito mais difícil [largar o álcool do que se tornar vegana]".
Para assistir o vídeo completo, confira o player a seguir.
A banda Crypta começará a Brasil Tour 2022 dia 19 de maio. A turnê passará por todas as regiões do Brasil. A guitarrista Jéssica di Falchi será a guitarrista do grupo durante a tour.
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