Matérias Mais Lidas


Outras Matérias em Destaque

Ex-guitarrista do Turnstile pode passar o resto da vida na cadeia

Bob Dylan e o dueto mais sem química da história do rock: "Confuso e sem impacto"

Devido a problemas de saúde, vocalista anuncia saída do Grand Funk Railroad

Regis Tadeu e o álbum que salvou o Rush da ruína; "um ato de insurgência artística"

Dave Mustaine pretende incluir mais músicas do disco novo no setlist do Megadeth

Symphony X passará próximos meses em estúdio para finalizar álbum

Solitude Aeturnus anuncia a saída do vocalista Robert Lowe

A dificuldade de incluir K.K. Downing em documentário do Judas Priest

O álbum do Cazuza que Regis Tadeu odeia: "Esse disco é horroroso, não tem condição"

A maior dificuldade que Mike Portnoy enfrentou ao voltar para o Dream Theater

O dia em que Nuno Bettencourt levou um beijo na boca de Eddie Van Halen e travou

Novo álbum do At the Gates chega ao topo da parada na Suécia

A música da década de 1950 que David Gilmour chamou de perfeita: "É pura magia"

A canção do Machine Head que aborda o poder da música

A frase dita pela mãe de Cliff Burton que Jason Newsted nunca esqueceu


O álbum dos Titãs que teve o nome alterado por direitos autorais de filme

Segundo o livro "A Vida Até Parece Uma Festa: A História Completa dos Titãs", o disco "Titanomaquia", lançado em julho de 1993, foi o mais sombrio e provocador da carreira da banda. O título, inspirado na mitologia grega - o confronto entre os deuses olímpicos e os titãs -, foi sugerido pelo artista Fernando Zarif, responsável também pela capa.

O lançamento marcou uma virada na trajetória do grupo. Pela primeira vez, um álbum dos Titãs saía simultaneamente em CD e vinil, refletindo a modernização da indústria fonográfica da época. Mas o conteúdo era tudo menos comercial. "Em todos os aspectos, era o disco mais sombrio dos Titãs. Além do repertório avesso ao que as rádios tocavam e algumas letras fortes e agressivas", descreve o livro.

Titãs - Mais Novidades

Foto: Divulgação - Bob Wolfenson
Foto: Divulgação - Bob Wolfenson

A primeira tiragem, com 60 mil cópias, vinha embalada em um saco preto, "como os de lixo" - um gesto simbólico que servia como resposta direta às críticas duras que haviam "massacrado" o álbum anterior, "Tudo ao Mesmo Tempo Agora" (1991).

Os Titãs chegaram a cogitar um título ainda mais provocativo. "'A Volta Dos Mortos-Vivos' seria a melhor forma de rasgar o atestado de óbito assinado pela imprensa especializada", relatam os autores. No entanto, a ideia precisou ser abandonada após esbarrar em direitos autorais do filme homônimo.

Entre as faixas, duas músicas se destacavam logo na abertura: "Será Que É Isso Que Eu Necessito?" e "Nem Sempre Se Pode Ser Deus". Ambas sintetizavam o espírito combativo do grupo naquele momento. A primeira, composta por Sérgio Britto, funcionava como um desabafo, com versos que questionavam a pressão externa e a opinião pública:

"Quem é que se importa com o que os outros vão dizer?
Quem é que se importa com o que os outros vão pensar?
Será que é isso que eu necessito?"

Já "Nem Sempre Se Pode Ser Deus", assinada por Branco Mello e Britto, reforçava a postura desafiadora:

"Não é que eu vou fazer igual,
Eu vou fazer pior."

O livro destaca que, mais do que um disco, "Titanomaquia" representou um gesto de resistência. "Era o disco mais sombrio dos Titãs", repetem os autores, sublinhando o tom pesado e introspectivo da obra - musicalmente distante do pop-rock que havia tornado o grupo um sucesso nos anos 1980.


Sobre Gustavo Maiato

Jornalista, fotógrafo de shows, youtuber e escritor. Ama todos os subgêneros do rock e do heavy metal na mesma medida que ama escrever sobre isso.
Mais matérias de Gustavo Maiato.