O hit rock'n'roll de Elton John que ele não aguenta mais tocar ao vivo
Por Bruce William
Postado em 13 de novembro de 2025
Ao longo das últimas décadas, Elton John acumulou um repertório extenso, cheio de músicas com peso emocional, letras fortes e faixas que atravessaram gerações. No meio desse catálogo, porém, há um grande sucesso que ele encara de forma bem diferente do público. Em participação no podcast Deeney Talks (via The Mirror), o cantor admitiu que não aguenta mais tocar uma certa canção e que está contando os dias para riscá-la de vez do repertório assim que a turnê chegar ao fim.
Falando sobre o hit em questão, Elton explicou que tudo começou como algo leve, quase uma paródia das músicas de rock dos anos 1950 e início dos 1960 que ele ouvia na juventude. Segundo o próprio, a faixa foi escrita de forma descompromissada, recheada de referências assumidas a artistas e canções daquela época, com melodias grudentas, vocal em falsete e clima nostálgico construído de propósito. A ironia é que justamente essa mistura calculada acabou rendendo um dos maiores sucessos comerciais de sua carreira.

O problema é que o tamanho do sucesso cobrou um preço. Elton contou que, ao vivo, a música se transformou em obrigação permanente, mesmo quando ele já não tinha mais nenhuma conexão artística com ela. "Da última vez que eu tiver que cantar 'Crocodile Rock', provavelmente vou dar uma festa", disse. "Ela foi escrita como uma espécie de piada, como um pastiche." Em seguida, deixou claro o conflito entre o cansaço pessoal e o compromisso com o público: "Mas quem sou eu para dizer 'não vou tocá-la'? Porque eu toco para divertir as pessoas e entreter as pessoas. Mas tenho que dizer: quando o último show terminar no fim da turnê, eu nunca, nunca mais vou cantar essa música." A afirmação, feita em 2021, entrega uma previsão que por enquanto não se sustenta, pois Elton continua tocando a canção em seus shows.
Do lado de Bernie Taupin, parceiro de composição, o sentimento não é muito diferente, relembra a Songfacts. Ao longo dos anos, ele definiu a faixa como algo descartável dentro da obra que construiu com Elton. Em uma de suas falas sobre o assunto, resumiu que não se incomoda por ter escrito a música, mas não é algo que escolheria ouvir, classificando-a como um pop descartável, divertida mas feita para ser deixada para trás enquanto outras composições seguiam adiante.
A situação fica ainda mais curiosa quando se olha para o contexto: a canção ajudou a impulsionar o álbum "Don't Shoot Me I'm Only the Piano Player", rendeu primeiro lugar nas paradas e ganhou vida própria como trilha em programas de TV, apresentações com Muppets, presença constante em rádios e shows. O desgaste veio justamente dessa onipresença: DJs enjoados de tocar, parte do público saturada e os autores vendo uma peça concebida como homenagem bem-humorada superar, em exposição, músicas que consideram mais representativas.
Com uma discografia cheia de faixas que ele e Bernie enxergam como mais importantes do ponto de vista artístico, Elton John parece decidido a encerrar esse ciclo. A promessa - até agora não cumprida - de nunca mais cantar o velho hit não apaga o papel que a música teve na carreira, mas deixa claro que, para o próprio autor, sucesso comercial e orgulho criativo nem sempre caminham lado a lado, e que, às vezes, o maior luxo seria poder se despedir justamente do refrão que funcionou bem demais.
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