A banda que esbanja confiança técnica e criativa fora do comum, segundo Regis Tadeu
Por Gustavo Maiato
Postado em 26 de janeiro de 2026
Um álbum relativamente esquecido do rock britânico recebeu um grande elogio do ácido crítico musical Regis Tadeu. Trata-se de "And It Came to Pass", estreia da banda Warm Dust, lançado originalmente em 1970. Para Regis, trata-se de um trabalho "criminosamente desconhecido", daqueles que desafiam qualquer ideia de que apenas os nomes mais famosos definiram o rock progressivo da época. O assunto foi comentado por ele no Instagram.
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Segundo ele, o disco é "um belo exemplar da mistura do rock progressivo com o jazz-rock do início daquela década", mas o que realmente chama atenção é a ousadia do grupo logo na largada. "Diferente de muitas bandas que começavam com compactos simples, o Warm Dust estreou com um álbum duplo", observa Regis, destacando que isso revelava "uma confiança técnica e criativa fora do comum para a época, juntamente com uma certa loucura comercial".
Essa confiança se traduz no som. Regis aponta que o álbum apresenta "camadas complexas e texturas que iam do melódico ao caótico", sempre apoiadas em improvisação e virtuosismo. As quatro faces do vinil original são preenchidas por faixas longas - algumas passando dos onze minutos - algo que ele define como "um risco enorme, mas também uma demonstração clara de personalidade artística". Não por acaso, ele resume sem rodeios: "É um discaço, mas não para ouvidos simplórios".
Outro aspecto ressaltado por Regis é a importância histórica da banda como ponto de partida para um músico que teria carreira brilhante nas décadas seguintes. O Warm Dust serviu de trampolim para o tecladista Paul Carrack, que mais tarde integraria grupos como Ace e Squeeze, além de alcançar enorme sucesso com o Mike + The Mechanics. "É impressionante pensar que um músico desse calibre começou justamente numa banda tão pouco lembrada hoje", comenta Regis.
Ele também chama atenção para a raridade do álbum em sua forma original. "O vinil original hoje é quase impossível de encontrar", diz, elogiando as reedições recentes em formato luxuoso, com capa gatefold e vinis coloridos, que ajudam a resgatar a obra. Para Regis, ouvir And It Came to Pass hoje é mais do que um exercício de nostalgia: "É um banho de criatividade de uma época em que algumas bandas simplesmente não tinham medo de ir longe demais".
No fim, a avaliação é clara e sem concessões, como costuma ser seu estilo: o Warm Dust pode não ter entrado no panteão dos gigantes do progressivo, mas deixou um álbum que, nas palavras de Regis Tadeu, "mostra como confiança técnica e ambição artística podem andar juntas - mesmo que o mercado não acompanhe".
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