A banda carioca de rock nacional dos anos 1980 que sofreu por não ser da Zona Sul
Por Gustavo Maiato
Postado em 06 de fevereiro de 2026
O rock carioca dos anos 1980 ficou marcado por sua veia mais praiana principalmente com bandas como Blitz, Barão Vermelho e Kid Abelha. Em uma cidade onde a cena se concentrava majoritariamente na Zona Sul, bandas vindas de outros bairros precisavam lutar em dobro para serem reconhecidas. É nesse contexto que a trajetória do Picassos Falsos ganha contornos particulares.

Formado em 1985, na Tijuca, inicialmente sob o nome O Verso, o grupo nasceu longe do eixo Ipanema–Leblon que concentrava casas de show, jornalistas, produtores e músicos. Em entrevista ao programa Corredor 5, o guitarrista Gustavo Corsi descreveu bem essa sensação de estar à margem do centro da cena: "É muito bom quando você saca que você tá na onda, né? Que tem alguma coisa acontecendo de legal e você tá junto. Mas, no primeiro momento, eu tava só como audiência, como plateia, vendo aqueles caras tocando".
Corsi contou que frequentar shows era quase uma escola paralela. "Você ia pro show olhando pedal, olhando tudo. Tudo, tudo, tudo. Tinha que sacar cada detalhe. Aprende-se muito nisso", afirmou. Para ele, a vivência ao vivo era insubstituível: "Eu falo pra galera nova: vai a show. Lá o cara tira um volume e você entende por que ele fez isso. É diferente de tutorial. Ali tá acontecendo, é na hora".
Rock carioca só na Zona Sul?
Quando questionado sobre a ideia recorrente de que "todo mundo se conhecia" no Rio daquela época, Corsi foi direto ao ponto. "Eu tenho essa sensação, mas é um pouquinho diferente, porque eu era da Tijuca. Eu não tava exatamente em Ipanema, no acontecimento da galera que tava ali". Segundo ele, isso marcou não apenas sua trajetória pessoal, mas também a identidade do Picassos Falsos. "Era evidentemente um movimento muito associado à Zona Sul. As bandas, os artistas, mesmo quem vinha de fora, acabava se estabelecendo ali. E eu, num primeiro momento, não era dessa galera".
Essa distância ficou ainda mais clara quando Corsi falou sobre os códigos sociais da época. "Você não estudava nos colégios dali, não era convocado. Não tava nos lugares certos, não era chamado pras bandas", relembrou. Ainda assim, ele destacou que esse afastamento inicial acabou se transformando em um processo gradual de reconhecimento: "Em algum momento eu comecei a conhecer a galera, e a ficar conhecido".
O reconhecimento veio com força em 1987, quando as músicas "Quadrinhos" e "Carne e Osso" passaram a tocar na Fluminense FM, abrindo caminho para o primeiro álbum, Picassos Falsos. A banda ganhou visibilidade nacional, entrou em trilhas de TV e, no ano seguinte, ousou ainda mais com Supercarioca, disco que misturava rock com samba, ijexá e referências explícitas à música brasileira. Mesmo sem repetir o sucesso comercial do debut, o álbum se tornaria um marco cult da geração 80.
Confira a entrevista completa abaixo.
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