Por que Chris Poland não quis gravar "Rust in Peace" do Megadeth, segundo o próprio
Por Gustavo Maiato
Postado em 30 de abril de 2026
O guitarrista Chris Poland revelou por que recusou a chance de voltar ao Megadeth no período que antecedeu o álbum "Rust in Peace", lançado em 1990. Em entrevista ao VRP Rocks, o músico disse que chegou a considerar o retorno, mas mudou de ideia depois de ouvir um alerta duro de sua empresária.
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Poland fez parte da formação clássica inicial do Megadeth. Ele tocou em "Killing Is My Business... and Business Is Good!", de 1985, e "Peace Sells... but Who's Buying?", de 1986. O guitarrista acabou demitido em 1987, após a turnê de divulgação de "Peace Sells".
Mesmo fora da banda, Poland voltou a se aproximar de Dave Mustaine e dos demais integrantes. Ele chegou a gravar demos de músicas que seriam usadas em "Rust in Peace", disco que se tornaria um dos trabalhos mais importantes da história do Megadeth. Naquele momento, a possibilidade de retorno parecia real.
Segundo Poland, a decisão começou a mudar durante uma viagem de carro para uma reunião com Mustaine e o empresário Ron Lafitte. Ele estava acompanhado de Janie Hoffman, sua empresária na época, quando ela perguntou se ele realmente pretendia entrar de novo na banda.
"Eu disse que estava pensando no assunto", contou Poland. A resposta dela foi direta: "Se você entrar para a banda, estará morto em um ano."
O comentário tinha peso por causa do histórico do guitarrista. Poland enfrentou problemas com drogas durante sua primeira passagem pelo Megadeth. A convivência no ambiente da banda, segundo ele, poderia colocá-lo outra vez em risco.
Chris Poland e Megadeth
Na entrevista, Poland lembrou uma frase que ouviu de David Ellefson, baixista do Megadeth. "Se você fica em uma barbearia por tempo o bastante, uma hora vai cortar o cabelo", disse ele. Para o guitarrista, a comparação resumia o perigo de voltar a um círculo ligado aos mesmos hábitos que ele tentava abandonar.
Poland contou que já havia passado por uma situação parecida durante a primeira turnê de "Killing Is My Business". Ele não participou daquela viagem e, enquanto a banda estava na estrada, conseguiu largar a heroína. O processo foi difícil, mas funcionou.
O problema veio depois. Quando os colegas retornaram, Poland voltou a conviver com eles. Ele disse que estava limpo, mas os outros ainda usavam drogas. Em pouco tempo, segundo o guitarrista, sua cabeça começou a trabalhar contra ele. Menos de um mês depois, a recaída veio.
Essa lembrança pesou na decisão sobre o retorno ao Megadeth. Poland disse que, ao saber que Marty Friedman era uma das opções para ocupar a vaga, percebeu que poderia recusar a proposta sem prejudicar a banda. Para ele, Friedman daria conta do trabalho.
"A caminho do encontro com eles, quando disseram que Marty Friedman era uma opção, eu soube que poderia dizer que não queria", afirmou. "Eu sabia que Marty tiraria esse trabalho de letra."
A reação, porém, não foi tranquila. Poland disse que os integrantes ficaram irritados com a recusa. "Eles ficaram furiosos. Eu não pude acreditar no quão furiosos eles ficaram", relembrou.
Marty Friedman acabou entrando no Megadeth e gravou "Rust in Peace", disco que consolidou a formação com Mustaine, Ellefson, Friedman e o baterista Nick Menza. O álbum trouxe faixas como "Holy Wars... The Punishment Due", "Hangar 18" e "Tornado of Souls".
Para Poland, a recusa também tinha outro caminho possível. Na época, ele trabalhava em sua estreia solo, "Return to Metalopolis". O projeto oferecia uma alternativa fora do ambiente que ele associava ao risco de recaída.
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