O guitarrista que estava ao lado de Jimi Hendrix num show histórico e depois foi apagado
Por Bruce William
Postado em 16 de abril de 2026
Quando se fala em Jimi Hendrix em Woodstock, a imagem que ficou para o mundo é quase sempre a do gênio solitário incendiando o hino dos Estados Unidos com a guitarra. É uma cena tão forte que engoliu quase tudo ao redor. Só que, naquela manhã de agosto de 1969, Hendrix não estava sozinho no palco. Ao lado dele havia outro guitarrista, Larry Lee, velho amigo dos tempos de Tennessee, músico de confiança e um sujeito que, por muito tempo, acabou ficando quase fora da história oficial do festival.
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A amizade entre os dois vinha de antes da fama, antes de Londres, antes do Experience e antes de toda a mitologia, relembra a Classic Rock. Larry Lee conheceu Hendrix no começo dos anos 1960, quando os dois circulavam pela cena de R&B em Nashville. Naquele período, segundo o próprio Lee lembraria depois, Jimi ainda era só mais um guitarrista tentando encontrar seu lugar. Eles tocaram juntos, conviveram de perto e criaram uma relação baseada não apenas em música, mas em confiança. Billy Cox, outro nome central nessa trajetória, diria anos depois que Larry ajudou Hendrix até mesmo a organizar melhor sua teoria musical.
Só que a vida dos dois tomou rumos bem diferentes. Hendrix foi embora, começou a rodar o país e depois explodiu para o mundo. Larry tentou seguir outro caminho, passou por estudos, acabou sendo enviado ao Vietnã e voltou para casa em situação bem mais dura. A virada veio pouco depois de seu retorno aos Estados Unidos. Ele contou que tinha acabado de voltar do escritório de desemprego quando o telefone tocou. Primeiro falou com Billy Cox, depois com o próprio Hendrix. "Ei, o que você está fazendo? Vamos tentar algumas coisas aqui em cima. Queremos que você venha se juntar a nós", disse Jimi. É daquelas ligações que mudam a trajetória de alguém em poucos segundos.
Lee então foi para Nova York e entrou naquele grupo que Hendrix estava montando para um novo momento musical. A ideia não era simplesmente repetir o passado. Segundo o próprio Larry, Hendrix falava em algo como um caminho mais sinfônico, mais aberto, um som diferente daquele formato já conhecido pelo público. E foi nesse contexto que ele acabou escalado para Woodstock. O curioso é que o convite parece ter sido feito sem grande solenidade. Hendrix não tratou aquilo como "o maior festival da América", mas quase como mais um show no caminho. Larry só foi entender de fato o tamanho do negócio quando chegou lá.
No palco, a situação esteve longe de ser perfeita em termos técnicos. Faltavam monitores, Lee mal conseguia ouvir direito o que Jimi tocava e ainda levava choques por causa do palco molhado. Mesmo assim, ele participou de momentos importantes do set, tocou base e solos em faixas como "Jam Back at the House" e "Spanish Castle Magic" e ainda cantou. Não era figurante, nem adereço. Era parte real de uma formação que Hendrix queria levar adiante. O problema é que, depois, boa parte dessa presença foi empurrada para fora da memória popular, seja por escolhas de edição, seja pelo fato de que a narrativa em torno de Woodstock preferiu eternizar Hendrix sozinho como centro absoluto do acontecimento.
E essa talvez seja a parte mais ingrata da história. Larry Lee não saiu por aí chorando apagamento nem tentando arrancar protagonismo à força. Pelo contrário: tudo indica que ele entendia muito bem quem era Hendrix naquele palco e o tamanho daquele momento. Mas isso não muda o fato de que sua contribuição foi diminuída em filmes, trilhas e no imaginário geral. Para muita gente, só havia um guitarrista ali naquela manhã. E não era verdade.
A passagem de Larry pela órbita de Hendrix, aliás, não se resume a Woodstock. Ele também tocou em gravações posteriores, apareceu em faixas resgatadas anos depois e chegou a integrar os planos de Hendrix para um som mais amplo. Só que houve atritos em torno da direção da banda, e Larry acabou saindo ao perceber que o amigo estava travando uma batalha difícil para fazer a música que realmente queria. Segundo ele mesmo contou, quando avisou que iria embora, Hendrix respondeu que montariam outra formação e voltariam a tocar juntos. Não houve tempo. Jimi morreria no ano seguinte.
Depois disso, Larry Lee seguiu carreira como músico respeitado em Memphis, trabalhou como session man, tocou com gente grande e construiu vida própria longe da caricatura de "o outro guitarrista de Woodstock". Ainda assim, essa ligação com Hendrix nunca deixou de acompanhá-lo. E com razão. Não é pouca coisa estar ao lado de Jimi Hendrix em um dos shows mais simbólicos da história do rock. Menos ainda quando isso aconteceu porque ele, no meio do caos, da fama e das pressões de toda ordem, ainda confiava em você como músico e como amigo.
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