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Polêmica e de humor ácido, biografia de Dave Mustaine continua relevante e interessante

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Postado em 13 de abril de 2026

Nota: 9 starstarstarstarstarstarstarstarstar

Calma fãs de Megadeth: Dave Mustaine não lançou uma nova biografia, vou falar aqui de "Mustaine: Memórias do Heavy Metal", livro escrito com apoio do jornalista Joe Layden e lançada em no Brasil em 2013 pela Editora Benvirá.

Apesar de ter o livro em mãos desde 2018, o tempo foi passando, outros lançamentos e prioridades passando na frente, até que, com o anúncio do fim da banda e audição no bom autointitulado derradeiro disco, era enfim a hora de encerrar esse capítulo.

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Mustaine começa pela sua infância tumultuada. Filho de um pai controlador que obrigava sua mãe a mudar constantemente de casa, eles acabam pousando então na casa de uma irmã Testemunha de Jeová - "uma experiência traumática", até porque nessa época ele estava mais interessado em bandas de rock e garotas do que na religião propriamente dita (anos depois o jogo mudaria).

Aos dezesseis anos já traficava maconha e vivia o mantra "sexo, drogas e rock n' roll", que atingiria patamares críticos poucos anos depois no Megadeth. Independente e autônomo desde cedo, ele acaba tocando em algumas bandas até que passa na "seletiva" para entrar no Metallica, na época com James Hetfield no vocais, Lars Ulrich na bateria e Ron McGovney, baixista e saco de pancadas. O trio James, Lars e Mustaine tinha personalidade forte e quando bebiam (uma constante) as coisas podiam e costumavam sair de controle, como da vez em que Mustaine deu um golpe de karatê e quebrou o calcanhar de Phil Sandoval (Armored Saint), isso sem falar nos sopapos entre os companheiros de banda que depois ensaiavam como se nada tivesse acontecido.

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Mesmo escrito vinte anos depois de ter sido chutado do Metallica dá para sentir todo seu rancor pela forma como foi feito e como a viagem de quatro dias dentro de um ônibus e um folheto político faria surgir o Megadeth, e com ele a promessa de um dia ter uma banda maior e mais famosa do que o Metallica (não conseguiu nenhum dos dois, mas o Megadeth acabou se tornando uma banda grande e influente, o que não é pouca coisa). O Metallica obviamente é um dos capítulos mais importantes e esperados do livro, mas ele logo é deixado para trás (vai ter outros episódios com a banda mais para a frente).

Com o Megadeth montado, disco a disco a carreira do grupo vai sendo revisitada. Pelos seus relatos abertos fiquei me perguntando alguma vezes: como que essa banda chegou aonde chegou? Não falo da sua qualidade musical, mas sim dos seus membros, porque excessos etílicos, de alucinógenos e de relacionamentos tóxicos eram uma constante na rotina do grupo, não importa a formação. Mustaine nunca foi santo (ele mesmo assume isso algumas vezes), mas como era a sua banda, passou do limite de que ele entendia como tolerável, rua, não importava quem fosse.

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Mesmo sendo uma banda em ascensão, referência no thrash metal, ou até mesmo por conta disso, as recaídas nas drogas foram uma constante em sua vida: mais de quinze internações em clínicas de reabilitação, algumas forçadas até, principalmente quando entra em cena o crack, a heroína e remédios. Mas o teimoso Musta sempre se reerguia, trocava algumas peças e partia para o próximo disco.

Como ele mesmo disse, "Se vai escrever um livro, deve ser o mais franco possível", então também estão ali os fracassos: o projeto MD.45 que não passou disso, os discos "Cryptic Writings" (1997) e "Risk" (1999), duas jogadas pensadas unicamente em vendas para atingir a sonhada posição #1, mas que chegou mesmo na #5 e que ainda comprometeram por uns bons anos a reputação da banda.

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Não esperava do livro menos do que polêmicas e aquele humor ácido típico de Dave Mustaine e sim, está tudo lá: no melhor estilo "sincericídio", ele não poupou nomes, membros da própria família, detalhes de aventuras com groupies e de overdoses. Os fatos não vão a fundo, lá no detalhe do detalhe, mas é possível ter uma boa noção das coisas - claro, pela sua visão.

Para quem espera que o capítulo sobre conversão ao cristianismo seja repleto de glamour, adianto que não foi bem assim, foi bem até simples na verdade, mas algo efetivo e decisivo em sua vida, talvez o que tenha feito o hoje vovô Mustaine estar ainda entre nós.

Do período que o livro foi lançado até hoje, claro que muita coisa aconteceu com ele e por tabela com o Megadeth: a melhora da sua relação com James e Lars (farpas para o baixinho dinamarquês são uma constante no livro), o rompimento, ao que tudo indica, definitivo com Junior (David Ellefson) e os bons discos lançados após 2015 que recolocaram a banda de volta nos trilhos.

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A edição da Editora Benvirá tem uma qualidade básica, em que as fotos de chamadas dos capítulos saíram em preto e branco e recheio em papel comum, mas nada que desabone o livro, já fora de catálogo. Já a edição de 2023, lançada pela Belas-Letras, vem com mais fotos coloridas, uma miniatura em papel de montar do Mustaine e uma réplica do flyer de um dos primeiros shows do Megadeth (tamanho 21 x 14cm).

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Edu Falaschi
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Sobre Mário Pescada

Mineiro, leitor compulsivo, ouvinte de todas as vertentes do rock - do blues ao grindcore. Valoriza mais a honestidade e entrega em cima do palco do que a técnica. Guarda os flyers dos shows que vai como se fossem relíquias. Autor dos livros "Distorções do Submundo: Dissecando álbuns matadores do underground brasileiro" vol. 1 (2023) e vol. 2 (2024), lançados pela Editora Denfire.
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