O álbum que melhor representa os EUA nos anos 1960, segundo Bruce Springsteen
Por Gustavo Maiato
Postado em 25 de junho de 2026
Ao longo de décadas, Bruce Springsteen construiu uma carreira narrando sonhos, frustrações e personagens comuns que tentam encontrar seu lugar no mundo. Ainda assim, o próprio "Boss" reconhece que alguns compositores fizeram certas coisas melhor do que ele.
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Entre eles está Jackson Browne, responsável por um disco que Springsteen considera não apenas um dos grandes álbuns de sua época, mas talvez o retrato mais perfeito da América pós-anos 1960.
Lançado em 1974, "Late for the Sky" marcou uma mudança importante na carreira de Browne. Em vez de abordar romances idealizados ou temas mais leves, o cantor mergulhou em questões como desilusão, amadurecimento e o fim das utopias que marcaram a década anterior.
Para Springsteen, nenhum outro trabalho conseguiu capturar tão bem aquele sentimento coletivo de perda. Em declarações reproduzidas posteriormente e resgatadas pela Far Out, ele foi enfático ao falar sobre o álbum.
"Não houve nenhum disco que capturasse melhor a queda do paraíso, o lento desaparecimento dos sonhos dos anos 1960, seus corações partidos, suas decepções e possibilidades desperdiçadas do que a obra-prima de Jackson, 'Late for the Sky'. É simplesmente um trabalho lindo."
O líder da E Street Band também destacou o impacto emocional do encerramento do álbum. Segundo ele, até hoje alguns momentos da obra continuam provocando fortes reações.
"Quando as portas do carro batem no final do disco, ainda me fazem chorar", afirmou.
Springsteen foi além e sugeriu que nenhum outro álbum da época retratou o país com a mesma profundidade emocional.
"Não existia música mais apaixonada, mais cheia de busca, desejo e amor feita para e sobre a América naquele momento."
A admiração ajuda a entender parte da evolução artística do próprio Springsteen. Na segunda metade dos anos 1970 e principalmente em trabalhos como "The River", ele passou a explorar relacionamentos, amadurecimento e desilusões de forma mais íntima, algo que muitos enxergam como uma aproximação do universo desenvolvido por Browne em "Late for the Sky".
Ainda assim, Springsteen nunca tentou esconder que via o colega como um mestre nesse tipo de composição. Enquanto ele se destacava ao retratar a classe trabalhadora americana e suas lutas cotidianas, Browne era, em sua visão, um especialista em traduzir emoções que muitas pessoas tinham dificuldade até de colocar em palavras.
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