A banda em que Eric Clapton tocou "pela metade" e depois pediu desculpas
Por Bruce William
Postado em 27 de maio de 2026
Eric Clapton sempre teve dificuldade para ficar parado em uma banda por muito tempo. Nos anos sessenta, isso ficou claro quase desde o começo. Ele saiu dos Yardbirds quando percebeu que o grupo estava se afastando do blues e caminhando para um som mais pop, especialmente depois de "For Your Love". Para um guitarrista que queria se afirmar dentro da linguagem do blues, aquele caminho já não servia.
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John Mayall oferecia justamente o outro lado. Os Bluesbreakers eram uma espécie de escola prática do blues britânico, um lugar onde guitarristas podiam tocar alto, esticar solos e mergulhar em repertório que ainda tinha cheiro de clube esfumaçado. Clapton entrou nesse ambiente e gravou com Mayall o álbum Blues Breakers with Eric Clapton, lançado em 1966, conhecido também como o "álbum Beano" por causa da revista que ele aparece lendo na capa.
O disco virou peça central na formação do chamado "Clapton is God". O timbre da guitarra, o ataque dos solos e a combinação de blues americano com amplificação britânica ajudaram a estabelecer um modelo que muita gente passaria anos tentando copiar. Antes de Cream, antes de Derek and the Dominos e muito antes da carreira solo mais comportada, Clapton parecia ali um músico jovem, feroz e disposto a provar alguma coisa a cada frase.
A relação com a banda, porém, não era tão sólida quanto o disco sugere. Clapton admitiria anos depois para a Music Radar (via Far Out) que não estava realmente inteiro naquele período. "Com John Mayall, eu estava só pela metade. Eu era tão pouco confiável, tão irresponsável. Às vezes eu simplesmente não aparecia nos shows, e foi assim que Peter Green foi chamado para tocar com John - porque eu não estava lá. Fui ver John no ano passado [1993] para realmente fazer as pazes; olhei para trás e percebi como eu tinha me comportado mal."
Essa lembrança pesa porque mostra uma distância entre a importância histórica da música e o comportamento de quem a estava fazendo. Para os fãs, aquele período pode parecer uma fase gloriosa, quase mítica, com Clapton encontrando seu som definitivo. Para ele, havia também descuido, imaturidade e falta de compromisso. Não era exatamente uma banda que ele "odiava", mas era uma situação em que sua cabeça já parecia caminhar para outro lugar.
Esse outro lugar logo seria o Cream. Com Jack Bruce e Ginger Baker, Clapton entrou em uma formação muito mais explosiva, menos presa ao papel de guitarrista dentro de uma banda de blues e mais aberta a improvisos longos, volume, psicodelia e disputa instrumental. Olhando em retrospecto, os Bluesbreakers aparecem como uma ponte: importantes demais para serem tratados como detalhe, mas temporários demais para segurarem Clapton por muito tempo.
Mayall, por sua vez, parecia condenado a ver grandes músicos passando por sua banda e seguindo adiante. Além de Clapton, os Bluesbreakers abrigariam nomes como Peter Green, Mick Fleetwood e John McVie, que depois ajudariam a formar o Fleetwood Mac. O curioso é que essa rotatividade acabou reforçando a importância de Mayall. Ele não manteve todos esses talentos por muito tempo, mas criou um ambiente onde eles puderam amadurecer antes de virar outra coisa.
No caso de Clapton, a contradição é clara. Ele não parecia feliz ou presente o bastante para seguir nos Bluesbreakers, mas deixou ali uma das gravações mais decisivas de sua trajetória. Anos depois, teve consciência suficiente para procurar Mayall e reconhecer o próprio erro. Às vezes a história do rock funciona assim: um músico está "só pela metade" em uma banda, mas aquela metade ainda é forte o bastante para mudar a guitarra britânica.
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