Regis Tadeu explica por que documentário do Iron Maiden "é uma farsa"
Por Bruce William
Postado em 27 de maio de 2026
O documentário "Iron Maiden: Burning Ambition" chegou aos cinemas em maio de 2026 com uma missão enorme: resumir 50 anos de Iron Maiden em um longa-metragem voltado para fãs da banda. O filme, dirigido por Malcolm Venville e produzido por Dominic Freeman, foi anunciado como uma viagem pela trajetória do grupo desde os pubs do East London até os grandes estádios, com entrevistas dos integrantes, participação de Rod Smallwood, imagens raras de arquivo e depoimentos de nomes como Lars Ulrich, Javier Bardem e Chuck D.
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Para Regis Tadeu, porém, a experiência passou bem longe de uma celebração satisfatória. Em vídeo publicado com o título "Iron Maiden - esse documentário é uma farsa!", ele disse que precisou antecipar "uma dose cavalar de paciência e estômago" para assistir ao filme no cinema. A irritação começou antes mesmo da análise do conteúdo, com a plateia cantando músicas junto com a tela, algo que ele descreveu como uma sessão transformada em "um verdadeiro hospício de 18ª categoria".
O alvo principal, no entanto, foi o próprio documentário. Regis afirmou que o filme não entrega o rigor histórico que uma produção sobre o Iron Maiden deveria ter. "Se a plateia foi um teste pros meus nervos, o filme em si foi um balde de esterco para alguém como eu, que preza pela verdade histórica e pelo rigor jornalístico." A crítica dele mira especialmente a natureza corporativa da produção, que ele atribui à Universal, e não a um projeto realmente conduzido pela banda.
Essa leitura encontra algum eco em avaliações mais moderadas publicadas fora do Brasil. O Guardian, por exemplo, descreveu Burning Ambition como uma homenagem voltada aos fãs, sem mergulho crítico profundo ou grandes revelações pessoais, mais próxima de um "hino de louvor" à banda do que de um documentário investigativo. Não é a mesma pancada de Regis, claro, mas ajuda a entender por que um espectador esperando uma abordagem mais histórica poderia sair frustrado.
Um dos pontos que mais incomodaram Regis foi o tratamento dado aos primeiros anos do Iron Maiden. Para ele, um filme que se vende como celebração de 50 anos não poderia tratar de forma superficial a fase de formação da banda entre 1975 e 1979, nem reduzir nomes como Dennis Stratton e Clive Burr a presenças quase laterais. "Um documentário sério honra quem construiu os alicerces e não apaga esses personagens da história." No caso de Burr, a crítica pesa ainda mais, já que o baterista participou dos três primeiros álbuns do Maiden e ajudou a definir a pegada inicial do grupo.
Regis também foi duro ao falar da maneira como Blaze Bayley aparece no roteiro. O vocalista assumiu o Iron Maiden após a saída de Bruce Dickinson e gravou The X Factor e Virtual XI, em uma fase comercialmente difícil para a banda e para o heavy metal tradicional. Para o crítico, o documentário transformou Blaze em bode expiatório, como se ele fosse o único culpado pela queda de popularidade do grupo nos anos 90, ignorando problemas de repertório, mercado, direção criativa e decisões internas.
Outro argumento atacado por Regis foi a velha explicação de que o grunge teria prejudicado o Iron Maiden. Ele reconheceu que bandas como Nirvana mudaram o foco da MTV e das rádios, mas chamou essa justificativa de preguiçosa quando usada para explicar a crise do Maiden. "Falar que o Nirvana arruinou o Iron Maiden é desconhecer completamente o mercado musical da década de 1990." Para ele, a queda daquela fase teve muito mais relação com escolhas da própria banda do que com uma conspiração vinda de Seattle.
A crítica de Regis não é contra a existência de um documentário popular sobre o Iron Maiden. O incômodo está em outra coisa: transformar uma história rica, cheia de trocas de formação, conflitos, acertos, erros, discos difíceis e fases desiguais em um produto limpo demais para consumo nostálgico. Burning Ambition pode funcionar para quem quer rever imagens, cantar refrões e celebrar Eddie na tela grande. Para quem esperava um retrato mais completo da banda, com suas rachaduras e personagens menos convenientes, a sessão parece ter deixado mais raiva do que entusiasmo.
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