O músico que até hoje deixa Paul McCartney nervoso quando se encontram para conversar
Por Bruce William
Postado em 27 de maio de 2026
Paul McCartney não parece ser alguém fácil de intimidar. Depois de tudo que viveu com os Beatles, da carreira solo, do Wings, dos estádios, das parcerias e de uma vida inteira sendo tratado como parte da história da música, seria compreensível imaginar que ele se aproximaria de qualquer outro artista sem grande cerimônia. Mas Bob Dylan ainda ocupa um lugar diferente para ele.
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A relação entre Dylan e os Beatles vem de muito longe. O encontro mais famoso aconteceu em 28 de agosto de 1964, no Hotel Delmonico, em Nova York, quando Dylan foi apresentado ao grupo por Al Aronowitz. A noite entrou para a mitologia porque teria sido ali que Dylan introduziu os Beatles à maconha, depois de interpretar de forma equivocada um trecho de "I Want to Hold Your Hand" e achar que eles já cantavam sobre isso. A história varia conforme quem conta, mas virou uma daquelas cenas inevitáveis quando se fala do cruzamento entre Beatles e Dylan.
Mais de 60 anos depois, McCartney ainda fala de Dylan como fã. Em entrevista à BBC Radio 2, no quadro Tracks of My Years, ele escolheu "Mr. Tambourine Man" entre as dez músicas que marcaram sua vida. A canção foi lançada por Dylan em "Bringing It All Back Home", em 1965, e também se tornou um marco do folk rock quando os Byrds a levaram ao primeiro lugar nos Estados Unidos no mesmo ano.
Ao comentar sua relação com Dylan, Paul falou sobre essa distância respeitosa. "Sou fã, mas, sabe, não o conheço bem o suficiente. George o conhecia muito bem porque eles estavam juntos nos Traveling Wilburys. Eu fico um pouco nervoso para me aproximar dele. Com algumas pessoas é fácil, você meio que pensa que pode conversar tranquilamente."
A menção a George Harrison tem a ver com a amizade mais próxima que ele teve com Dylan, pois como citado por Paul, ele participou dos Traveling Wilburys ao lado de Bob, juntamente com Tom Petty, Roy Orbison e Jeff Lynne, e ainda o recebeu no Concerto para Bangladesh, em 1971. Paul, apesar de ter cruzado com Dylan várias vezes e de dividir com ele um patamar raríssimo na música popular, parece manter uma relação mais reverente do que íntima.
McCartney também lembrou o encontro no Desert Trip, festival realizado em 2016 no Empire Polo Club, em Indio, Califórnia, com Bob Dylan, Rolling Stones, Neil Young, Paul McCartney, The Who e Roger Waters no mesmo cartaz. O evento teve dois fins de semana, em outubro daquele ano, e ganhou o apelido informal de "Oldchella", justamente por reunir nomes fundamentais das décadas de 60 e 70 em uma estrutura associada ao Coachella.
Segundo Paul, alguém avisou nos bastidores que Dylan queria vê-lo. Ele imaginou um encontro rápido em área cheia de gente, mas acabou entrando em uma tenda enorme onde estavam apenas os dois. Dylan foi elogioso, e McCartney ficou meio sem saber como reagir. O comentário que mais o pegou foi simples: Dylan disse que ele era "uma estrela". Paul respondeu algo como "obrigado, Bob, eu amo o que você faz", aquele tipo de frase que parece pequena demais quando um gigante está diante de outro gigante.
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