Cardiomiopatia hipertrófica: doença que matou Gabriel Ganley já vitimou rockstar
Por Gustavo Maiato
Postado em 25 de maio de 2026
A cardiomiopatia hipertrófica voltou ao noticiário após ser citada no atestado de óbito do fisiculturista e influenciador Gabriel Ganley, morto aos 22 anos em São Paulo. A condição provoca o espessamento anormal do músculo do coração, pode dificultar o bombeamento de sangue e, em casos graves, causar arritmias e morte súbita. A informação é do G1.

A doença também já atingiu o mundo do rock. Dave Williams, vocalista original do Drowning Pool, morreu em 14 de agosto de 2002, aos 30 anos, dentro do ônibus de turnê da banda (via Billboard). O grupo estava na estrada com o Ozzfest e se preparava para tocar no dia seguinte. Uma autópsia apontou que ele sofreu insuficiência cardíaca causada por cardiomiopatia. Exames toxicológicos indicaram que álcool e medicamentos encontrados em pequenas quantidades não foram fator determinante na morte.
Williams ficou conhecido mundialmente como a voz de "Bodies", maior sucesso do Drowning Pool. A música saiu no álbum Sinner, lançado em 2001, e virou um dos hinos do nu metal do começo dos anos 2000. A morte repentina do cantor interrompeu a primeira fase da banda, que nunca mais teve a mesma formação.
O que é a cardiomiopatia hipertrófica?
A cardiomiopatia hipertrófica pode ser silenciosa. O CDC, agência de saúde dos Estados Unidos, define a condição como um distúrbio genético comum que faz o músculo cardíaco ficar mais espesso e rígido. Isso pode reduzir a quantidade de sangue bombeada pelo coração e exigir mais energia do órgão, especialmente durante exercícios.
O risco maior está nas arritmias. A American Heart Association afirma que algumas pessoas não apresentam sintomas, ou só sentem sinais durante esforço físico. Entre os sintomas possíveis estão dor no peito, falta de ar, palpitações, tontura, desmaio e fadiga. A entidade também diz que a doença é uma das causas mais conhecidas de morte súbita em jovens e atletas competitivos.
Na forma hereditária, a doença pode passar de pais para filhos. O CDC informa que, quando a cardiomiopatia hipertrófica ocorre em famílias, filhos de uma pessoa afetada têm 50% de chance de herdar a condição. Por isso, histórico familiar de morte súbita antes dos 40 anos é um sinal de alerta para avaliação médica.
Além da origem genética, especialistas alertam para danos cardíacos associados ao uso de esteroides anabolizantes. Estudos apontam relação entre uso de anabolizantes androgênicos e hipertrofia do músculo cardíaco, além de alterações que podem elevar o risco de arritmias e outros problemas cardiovasculares. Isso não significa que todo caso de cardiomiopatia tenha relação com anabolizantes, nem permite concluir que uma pessoa específica tenha usado substâncias sem confirmação.
O caso de Dave Williams mostra como a doença pode passar despercebida até o desfecho mais grave. O cantor foi encontrado morto como se estivesse dormindo. À época, circularam especulações sobre drogas e álcool, mas os exames afastaram essa hipótese como causa principal.
A cardiomiopatia hipertrófica não é uma sentença de morte quando diagnosticada e acompanhada. Exames como ecocardiograma, eletrocardiograma, teste de esforço, monitoramento cardíaco e avaliação genética podem ajudar na identificação. Em alguns casos, médicos indicam medicamentos, restrição a esportes de alto rendimento ou dispositivos implantáveis para reduzir o risco de morte súbita.
O alerta deixado por casos como os de Gabriel Ganley e Dave Williams é simples: jovens, atletas e pessoas aparentemente saudáveis também podem ter doenças cardíacas silenciosas. Sintomas como desmaio, dor no peito, palpitações ou falta de ar durante esforço não devem ser tratados como algo normal. Nesse tipo de quadro, avaliação médica pode fazer diferença.
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