O disco do Metallica que perdeu para o Iron Maiden em votação de melhor álbum de metal
Por Bruce William
Postado em 30 de junho de 2026
Qual é o maior álbum de metal de todos os tempos? A pergunta é ótima justamente porque não tem resposta pacífica. Cada fã chega com sua própria bíblia de riffs, traumas, descobertas e camisetas gastas. Para alguns, nada supera o peso fundador do Black Sabbath. Para outros, o auge está no thrash do Metallica. E há quem coloque o Iron Maiden no topo pela combinação de melodia, épico e identidade.
Em uma votação popular da Ranker, quem levou a melhor foi o Iron Maiden. A lista "The Top Metal Albums of All Time", atualizada em outubro de 2025, aparece como um ranking dinâmico, construído a partir dos votos dos usuários. A própria página informa que são mais de 22 mil votantes, mais de 719 mil votos e 341 álbuns incluídos. A regra básica indicada é simples: apenas bandas de metal entram na disputa.
O site também explica que a ordem reflete o consenso dos votantes e não seria influenciada por colocação paga ou preferência editorial. Ou seja: não se trata de uma lista fechada por críticos, jornalistas ou especialistas em sala escura decidindo o destino da civilização. É voto popular. Reclamações, portanto, devem ser encaminhadas diretamente à turba metálica da internet.

No topo ficou "The Number of the Beast", terceiro álbum do Iron Maiden, lançado em 1982. O disco marcou a estreia de Bruce Dickinson nos vocais da banda e trouxe músicas como "Run to the Hills", "Hallowed Be Thy Name" e a faixa-título. Para muita gente, foi o momento em que o Maiden deixou de ser uma grande promessa da nova onda do heavy metal britânico e virou uma força mundial.
Logo abaixo, em segundo lugar, apareceu "Master of Puppets", do Metallica. Lançado em 1986, o álbum costuma ser tratado como um dos pontos máximos do thrash metal, além de ter sido o último trabalho da banda com Cliff Burton. "Battery", "Welcome Home (Sanitarium)", "Disposable Heroes" e a faixa-título ajudaram a fazer do disco uma referência não apenas para o Metallica, mas para o metal pesado como linguagem ambiciosa, agressiva e precisa.
A derrota de "Master of Puppets" para "The Number of the Beast" não diminui o tamanho do álbum do Metallica. Pelo contrário, ajuda a mostrar como essa briga é ingrata. São discos que representam momentos diferentes do metal. O Maiden de 1982 trazia uma mistura de velocidade, melodia, narrativa e teatralidade. O Metallica de 1986 oferecia riffs mais cortantes, estruturas longas, peso político e uma sensação de ameaça muito mais seca.
O restante do topo também mostra como o gosto dos votantes se concentrou em pilares bem conhecidos. "Paranoid", do Black Sabbath, ficou em terceiro lugar, seguido por "Ride the Lightning", também do Metallica. Depois aparecem o primeiro álbum do Black Sabbath, "Master of Reality", "Rust in Peace", do Megadeth, "Powerslave" e "Piece of Mind", do Iron Maiden, e "Blizzard of Ozz", de Ozzy Osbourne.
A presença forte de Iron Maiden, Metallica e Black Sabbath diz muito sobre a memória afetiva do metal. O Sabbath aparece como origem e fundação. O Maiden surge como a banda que levou o heavy metal britânico a uma escala quase mitológica. O Metallica representa a virada mais agressiva e técnica do thrash, especialmente nos anos 1980. Não é uma eleição que privilegia surpresas, mas grandes monumentos.
Mesmo assim, a primeira posição do Iron Maiden pode render discussão. "The Number of the Beast" é mais curto, mais direto e talvez mais imediatamente cantável do que "Master of Puppets". Tem o impacto da chegada de Dickinson, a polêmica visual e religiosa da época, refrões enormes e uma faixa final que muitos fãs tratam como uma das melhores coisas que a banda já gravou. É um disco que funciona tanto para o fã casual quanto para o devoto de Eddie.
"Master of Puppets", por outro lado, é quase um tratado de thrash metal. Mais sombrio, mais elaborado e mais afiado, ele consolidou o Metallica em um patamar que poucos grupos alcançaram. Se a votação fosse feita apenas entre fãs de thrash, talvez o resultado fosse outro. Mas, em uma consulta ampla sobre metal, o apelo histórico e popular do Maiden acabou falando mais alto. Ou seja: o clássico absoluto do Metallica encontrou uma besta no caminho.
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