A banda esquecida que teve Tony Iommi na guitarra e seria a primeira solo de Ozzy Osbourne
Por Bruce William
Postado em 25 de junho de 2026
A história do rock pesado é cheia de bandas que aparecem sempre na primeira página: Black Sabbath, Led Zeppelin, Deep Purple, Judas Priest, Metallica. Mas há também aquelas que ficaram no rodapé, mesmo tendo passado perto demais dos gigantes para serem tratadas como simples curiosidade. O Necromandus é uma dessas bandas. Pouca gente fora do culto aos anos 70 conhece o nome, mas a biografia do grupo parece feita para deixar colecionador de proto-metal com a mão tremendo no mouse.
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Formado em Cumbria, no norte da Inglaterra, o Necromandus fazia um rock pesado, progressivo e técnico, com mudanças de andamento e uma atmosfera sombria que chamaram a atenção de ninguém menos que Tony Iommi. O guitarrista do Black Sabbath não apenas gostou da banda: ele passou a cuidar de sua carreira, arrumou estrutura em Birmingham, conseguiu shows e levou o grupo para abrir a turnê britânica do Sabbath em 1973.
Em entrevista ao site It's Psychedelic Baby Magazine, o baterista Frank Hall, único integrante original ainda vivo, contou que Iommi viu o Necromandus tocando em um lugar chamado Tow Bar, em West Cumbria. O Sabbath também passava por ali naquela época, antes de se tornar uma entidade mundial. Segundo Hall, Iommi apareceu por causa do boca a boca e gostou do que ouviu. "Tony Iommi foi um empresário brilhante. Era muito organizado e realmente envolvido. Ele conseguiu shows para nós e também arrumou uma base em Birmingham para trabalharmos em material novo. Ele até nos convidou para abrir a turnê britânica do Black Sabbath em 1973, junto com o Badger."
A influência de Iommi não ficou só no escritório. Durante as gravações de "Orexis of Death", álbum produzido por ele e depois engavetado pela Vertigo, o guitarrista acabou participando também como músico. Hall lembrou que, em um determinado dia, Iommi perguntou se poderia colocar guitarra em uma faixa. Ao longo da sessão, acabou gravando partes em três músicas.
O disco ainda teve outro convidado de peso. Rick Wakeman, do Yes, participou das gravações em troca de uma caixa de Guinness, detalhe que parece exagero inventado por fã, mas combina perfeitamente com a mitologia meio torta dos anos 70. "Orexis of Death" tinha tudo para colocar o Necromandus em outro patamar, mas a história emperrou. Segundo Hall, uma possível ida aos Estados Unidos caiu quando o guitarrista Barry Dunnery, que tinha medo de voar, desistiu no último momento. Aquilo, somado a outros problemas, ajudou a fazer a Vertigo guardar o álbum na gaveta.
A parte mais improvável viria alguns anos depois. Em 1977, quando Ozzy Osbourne foi afastado do Black Sabbath, ele chamou integrantes do Necromandus para ensaiar com ele. Frank Hall, Barry Dunnery e Dennis McCarten chegaram a ir para a casa de Ozzy e formaram aquela que Hall descreve como a primeira versão embrionária do Blizzard of Ozz, muito antes da formação que ficaria famosa com Randy Rhoads.
"O motivo de termos nos tornado a primeira versão inicial do Blizzard of Ozz foi Ozzy ter sido demitido do Black Sabbath. Obviamente, Ozzy já nos conhecia, e ele tinha um grande amigo nosso chamado Dave Tangye trabalhando para ele. Então Ozzy mandou Dave de volta para West Cumbria para perguntar se nós iríamos ensaiar com ele em sua casa. Foi basicamente assim que tudo aconteceu."
A experiência, porém, durou pouco. Ozzy acabaria voltando ao Black Sabbath antes de sua saída definitiva, e aquela formação inicial do Blizzard of Ozz ficou como uma nota de rodapé fascinante. Hall disse que, em 1977, Ozzy parecia não saber muito bem o que queria. Para ele, o vocalista era uma "alma meio atormentada", e isso talvez tenha contribuído para a curta duração daquele projeto.
O Necromandus também não foi uma banda que Iommi tentou transformar em cópia do Sabbath. Pelo relato de Hall, o guitarrista gostava justamente do lado técnico e progressivo do grupo. Ele descrevia o som como rock progressivo e rock técnico, com mudanças de compasso pouco comuns, chegando a dizer que aquilo lembrava o Yes. Para uma banda pesada dos anos 70, era um elogio bem específico.
No fim, a trajetória do Necromandus parece uma coleção de "quases". Quase lançou um disco importante na época certa. Quase foi aos Estados Unidos. Quase teve seu nome mais ligado à história oficial do heavy rock. Quase virou a banda solo de Ozzy antes do Blizzard of Ozz que o mundo conheceria. E, no meio disso tudo, ainda teve Tony Iommi como empresário, produtor e guitarrista convidado.
Talvez esse seja justamente o encanto da história. O Necromandus não virou gigante, mas passou por corredores onde os gigantes circulavam. Tocou com o Sabbath, gravou com Iommi, recebeu Rick Wakeman por uma caixa de cerveja e ensaiou com Ozzy no momento em que o vocalista ainda tentava descobrir o que faria fora da banda que ajudou a criar. Para um grupo esquecido, até que deixou rastros bem barulhentos.
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