A canção do Queen que fez Freddie Mercury se tornar uma pessoa querida de Elton John
Por Bruce William
Postado em 25 de junho de 2026
Freddie Mercury e Elton John pertenciam ao mesmo planeta de exagero, brilho e talento, mas não tocavam exatamente no mesmo idioma. Freddie era o vocalista de uma banda que misturava hard rock, teatro, ópera, humor e fantasia com uma naturalidade quase insolente. Elton, por sua vez, vinha do piano, da tradição dos grandes compositores pop e de uma linhagem mais próxima de Leon Russell, Laura Nyro e do cantor que domina a canção pelo teclado.
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Nos anos 1970, os dois já pareciam grandes demais para caber apenas na etiqueta do glam rock. Havia roupas, palco, teatralidade e um certo gosto pelo excesso, claro. Mas Queen não soava como David Bowie, Sweet ou Marc Bolan, assim como Elton John não era simplesmente um astro extravagante de óculos coloridos. Cada um tinha construído sua própria forma de transformar canção em espetáculo.
Freddie sempre pareceu mais reservado fora do palco do que a figura quase imperial que surgia diante do público. Quando as luzes acendiam, porém, ele parecia pertencer inteiramente àquele espaço. O Queen também entendia que show não era apenas tocar as músicas corretamente. Era criar uma experiência física, visual e emocional, algo que fizesse o público sentir que estava vendo uma banda maior do que a vida comum.
Foi nesse cenário que "Killer Queen", lançada em 1974 no álbum "Sheer Heart Attack", ajudou a aproximar Freddie de Elton, explica a Far Out. A música marcou um salto importante para o Queen, mostrando que a banda podia ser sofisticada, pop, irônica e radiofônica sem perder personalidade. Em vez de apostar apenas no peso ou na grandiosidade, Freddie escreveu uma canção cheia de charme, com arranjo refinado e uma letra sobre uma acompanhante de luxo tratada quase como personagem de teatro.
A reação de Elton John teve peso para Freddie. Ele contou que o primeiro encontro entre os dois foi ótimo e que o elogio a "Killer Queen" funcionou como passaporte imediato para sua simpatia. "Elton é um bom e velho sujeito. Eu o amo demais e acho que ele é fabuloso. Para mim, ele é como uma daquelas últimas divas de Hollywood que ainda valem alguma coisa."
Freddie completou a lembrança com o humor ferino habitual. "A primeira vez que o conheci, ele foi maravilhoso, uma daquelas pessoas com quem você se dá bem instantaneamente. Ele disse que gostava de 'Killer Queen', e qualquer um que diga isso entra no meu livro branco. Meu livro negro está estourando pelas costuras!"
Freddie podia ser afetuoso, mas não era exatamente alguém disposto a gostar de todo mundo por obrigação social. O elogio de Elton funcionou porque vinha de um artista que entendia a mistura de melodia, encenação e inteligência pop que "Killer Queen" carregava. Não era só um hit simpático. Era uma miniatura luxuosa, quase uma peça de vaudeville filtrada pelo rock.
A amizade entre os dois cresceria muito além desse primeiro elogio. Elton John se tornaria uma das pessoas próximas de Freddie, especialmente nos anos finais da vida do vocalista do Queen. O vínculo ficou ainda mais marcante pela história do presente de Natal que Freddie deixou para Elton quando já estava muito doente, pouco antes de morrer em 1991. Era um gesto pequeno na forma, mas enorme pelo contexto.
"Killer Queen" não foi apenas uma ponte entre dois astros famosos. Ela revelou a Elton um tipo de compositor que talvez falasse uma língua parecida com a dele: alguém capaz de fazer música pop com teatralidade, humor, elegância e veneno. Freddie, por sua vez, percebeu ali um reconhecimento que valia mais do que bajulação de bastidor. Ambos seguiram como figuras diferentes, mas aparentadas pelo gosto por canções que não tinham medo de soar grandes, dramáticas e um pouco absurdas. Do tipo que só sobrevivem quando há personalidade de sobra segurando cada nota.
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