Há 40 anos, "Rádio Pirata Ao Vivo" transformava o RPM em um fenômeno sem precedentes
Por Sérgio Dall'Alba
Postado em 25 de junho de 2026
Álbum ao vivo lançado em 1986 vendeu milhões de cópias, consolidou a maior turnê do rock nacional na década e permanece como um dos discos mais importantes da música brasileira
RPM - Mais Novidades
Em julho de 1986, o rock brasileiro vivia seu auge criativo. Bandas como Legião Urbana, Titãs, Paralamas do Sucesso e Barão Vermelho dominavam rádios e programas de televisão. Mas foi um disco ao vivo que redefiniu os limites do sucesso comercial do gênero no país: Rádio Pirata Ao Vivo, do RPM.
Quatro décadas depois, o álbum continua sendo lembrado como um marco da indústria fonográfica nacional. Gravado nos dias 26 e 27 de maio de 1986, no Anhembi, em São Paulo, e lançado em 28 de julho daquele ano, o disco ultrapassou a marca de milhões de cópias vendidas e entrou para a lista dos álbuns mais vendidos da história do Brasil.
O sucesso não aconteceu por acaso. Naquele momento, o RPM já havia se tornado uma febre nacional graças ao álbum Revoluções por Minuto (1985) e a hits como "Olhar 43", "Louras Geladas" e "Rádio Pirata". O grupo formado por Paulo Ricardo, Fernando Deluqui, Luiz Schiavon e Paulo Pagni já lotava ginásios e estádios em todo o país, em uma escala raramente vista para uma banda de rock brasileira.
A origem de um fenômeno
Segundo relatos dos próprios integrantes, a ideia do álbum nasceu após a explosão de "London London", releitura do clássico de Caetano Veloso. A gravadora viu no registro ao vivo uma oportunidade de capitalizar o enorme momento vivido pela banda. A solução foi registrar a turnê e transformar a energia dos shows em um lançamento oficial.
O resultado capturou perfeitamente a histeria coletiva que cercava o grupo. O repertório reuniu sucessos já conhecidos, como "Revoluções por Minuto", "Olhar 43" e "A Cruz e a Espada", além das inéditas "Alvorada Voraz" e "Naja", e das releituras de "London London" e "Flores Astrais", dos Secos & Molhados.
O maior fenômeno do rock brasileiro nos anos 1980
A turnê Rádio Pirata tornou-se tão grandiosa quanto o disco. Com uma estrutura inspirada em grandes produções internacionais, o RPM ajudou a elevar o padrão dos espetáculos de rock no Brasil. Em pouco mais de um ano, a banda realizou centenas de apresentações e levou multidões a ginásios e estádios por todo o país.
O sucesso foi tão intenso que extrapolou o universo musical. O grupo virou tema de reportagens especiais na televisão, estampou capas de revistas e transformou Paulo Ricardo em um dos artistas mais populares do país. Para muitos historiadores da música, o RPM foi a primeira banda de rock brasileira a experimentar um fenômeno de popularidade comparável ao das grandes estrelas da música pop internacional.
Um legado que atravessa gerações
Quarenta anos depois, Rádio Pirata Ao Vivo continua sendo referência quando o assunto são grandes registros ao vivo da música brasileira. O álbum ajudou a consolidar o rock nacional como força comercial, influenciou a forma como shows passaram a ser produzidos no país e permanece como documento histórico de um dos períodos mais vibrantes da cultura pop brasileira.
Mais do que um simples disco ao vivo, Rádio Pirata Ao Vivo registrou o momento exato em que o RPM atingiu seu auge e o rock brasileiro conquistou definitivamente o grande público. Quatro décadas depois, sua força permanece intacta - prova de que alguns fenômenos conseguem sobreviver ao tempo e continuar inspirando novas gerações de fãs.
A vida segue pós-RPM, sem deixar o RPM para trás
Entre reencontros e despedidas, o RPM gravou, com a formação completa, mais dois álbuns de estúdio, Quatro Coiotes (1988) e Elektra (2011), e um ao vivo, MTV RPM 2002 (2002).
Por diferentes razões, Luiz Schiavon e Paulo Pagni não participaram de Paulo Ricardo & RPM (1993), e Paulo Ricardo de Sem Parar (2023). Dois integrantes do RPM já morreram: Paulo Pagni, em 22 de junho de 2019, e Luiz Schiavon, em 15 de junho de 2023.
Atualmente, Paulo Ricardo excursiona com três shows: XL 40 Anos, Rock Popular e Voz, Violão & Rock'n'roll. E em agosto ele se apresenta no C6 no Rock justamente tocando Rádio Pirata Ao Vivo na íntegra. Ano passado, ele lançou o EP Reinventar, com seis canções inéditas. Inclusive, Paulo Ricardo fará show da turnê reinventar em Belo Horizonte no dia 07 de dezembro. Em breve matéria completa no site.
Fernando Deluqui também está na estrada. Ao lado de Fábio Pelissioni (baixo e voz), Kiko Zara (bateria) e Tato Andreatta (teclados), ele encabeça o projeto RPM – O Legado.
FONTE: www.musicaos.com.br
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