As duas músicas do Led Zeppelin que John Paul Jones preferia esquecer
Por Bruce William
Postado em 22 de junho de 2026
O Led Zeppelin podia sair de um riff esmagador para um violão acústico, experimentar ritmos estrangeiros e depois reaparecer com uma faixa quase funk. Nem toda aventura, porém, agradava igualmente aos quatro integrantes. John Paul Jones tinha reservas especiais com duas músicas que nasceram de propostas completamente diferentes.
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A primeira era "D'yer Mak'er", incluída em "Houses of the Holy", de 1973. O título fazia uma brincadeira com a pronúncia de "Jamaica", e a composição misturava reggae com o doo-wop dos anos 1950. Robert Plant enxergou potencial comercial na faixa, que acabou lançada como single nos Estados Unidos e chegou ao Top 20.
Jones não se incomodava simplesmente com o fato de o Led Zeppelin tentar tocar reggae. Seu problema era a maneira como a base rítmica havia sido construída. Para ele, baixo e bateria precisavam trabalhar com grande precisão e contenção, algo que John Bonham não parecia interessado em fazer naquela sessão. "Teria ficado tudo bem se ele tivesse trabalhado na parte", afirmou Jones. "O ponto central do reggae é que bateria e baixo precisam ser muito rigorosos no que tocam. E ele não foi, então ficou horrível."
Bonham considerava tocar reggae entediante e manteve uma batida pesada, distante da leveza que Jones esperava. Conforme aponta a Far Out, o resultado acabou se tornando uma das faixas mais discutidas do catálogo: há quem aprecie justamente aquela mistura desajeitada, enquanto o baixista ouvia uma experiência que não havia sido levada suficientemente a sério.
O outro caso era "Royal Orleans", lançada em "Presence", de 1976. A letra narra a história de um integrante da banda que teria levado uma drag queen para o quarto de hotel em Nova Orleans e provocado um incêndio ao adormecer com um cigarro aceso. Durante anos, a figura central do episódio foi identificada como John Paul Jones.
Ele contestava essa versão. Segundo o músico, todos sabiam quem eram as pessoas envolvidas e não havia surpresa alguma sobre sua identidade. "Aquilo era Robert em sua habitual maneira homofóbica", disse Jones, acrescentando que Plant era "um pouco provinciano" e homofóbico naquela época.
A irritação de Jones com "Royal Orleans" não vinha de um arranjo que julgava ruim, mas de ter sido transformado em personagem de uma piada que dizia não corresponder aos fatos. Uma faixa o incomodava pelo que o Led Zeppelin tocou; a outra, pelo que resolveu contar. As duas sobreviveram nos discos e continuam provocando reações muito distintas entre os fãs. Para o integrante mais discreto da banda, porém, uma soava mal desde a base, enquanto a outra carregava uma história que ele jamais reconheceu como sua.
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