O melhor guitarrista de blues que Ritchie Blackmore ouviu ao longo da vida
Por Bruce William
Postado em 21 de junho de 2026
Ritchie Blackmore nunca foi o tipo de guitarrista fácil de encaixar numa única linhagem. O blues estava ali, como esteve para quase todo músico britânico de rock pesado formado nos anos 1960, mas ele também carregava música clássica, folk, jazz e um gosto por melodias que o separava de muitos colegas de geração. Talvez por isso sua escolha de guitarrista favorito dentro do blues não tenha caído nos nomes mais previsíveis.
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Em vez de citar Robert Johnson, Muddy Waters, B.B. King ou Howlin' Wolf, Blackmore escolheu Shuggie Otis. A resposta chama atenção porque Otis não pertence à mesma mitologia distante dos velhos mestres. Nascido em 1953, ele era bem mais jovem que os heróis tradicionais do blues e apareceu quando o próprio Blackmore já construía sua história com o Deep Purple.
Otis, porém, cresceu dentro da música. Era filho de Johnny Otis, bandleader, produtor e figura central do rhythm and blues americano. Ainda garoto, começou a tocar com a banda do pai, às vezes usando óculos escuros e bigode falso para parecer mais velho em ambientes onde legalmente nem deveria estar. Aos 14 anos, já registrava solos que músicos muito mais experientes levariam uma vida para alcançar.
Foi isso que impressionou Blackmore. "Shuggie Otis foi o melhor guitarrista que já ouvi", disse à Guitar Player. "O pai dele era Johnny Otis. Ele tinha só 14 anos quando tocou a maioria de seus grandes solos."
Blackmore também aproximou Otis de outro guitarrista que admirava. "Ele tinha um estilo muito parecido com Mick Taylor, outro favorito meu: nunca desperdiça uma nota e sempre tem aquele vibrato. Às vezes fico um pouco preguiçoso com meu vibrato."
A comparação é reveladora, conclui a Far Out. Blackmore podia tocar rápido, criar riffs marcantes e usar a guitarra como arma dramática em músicas como "Highway Star", "Burn" e "Stargazer". Mas, ao elogiar Otis, escolheu justamente a economia: tocar apenas o necessário, dar peso a cada nota e sustentar o vibrato como parte essencial da expressão.
Shuggie Otis nunca se tornou um astro proporcional ao tamanho de seu talento. Gravou discos cultuados como Freedom Flight e Inspiration Information, escreveu "Strawberry Letter 23" e transitou por blues, soul, funk e psicodelia. Também participou de gravações com nomes como Frank Zappa e Bo Diddley, mas sua carreira seguiu por caminhos irregulares, com longos períodos fora do centro das atenções.
A admiração de Blackmore ajuda a recolocar Otis em outro lugar. Não como curiosidade de colecionador ou filho talentoso de um músico famoso, mas como guitarrista capaz de impressionar alguém que conhecia o instrumento por dentro. Para Blackmore, a grandeza estava menos em tocar muitas notas e mais em não jogar nenhuma fora.
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