A banda gigante do rock que Ritchie Blackmore disse que nunca conseguiu gostar
Por Gustavo Maiato
Postado em 18 de junho de 2026
Ao longo da década de 1970, poucos guitarristas ajudaram tanto a moldar o hard rock quanto Ritchie Blackmore. À frente do Deep Purple e, depois, do Rainbow, o músico britânico se tornou referência por riffs pesados, passagens inspiradas na música clássica e uma abordagem que valorizava intensidade e dramaticidade acima de qualquer outra coisa.
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Essa visão artística fez com que Blackmore frequentemente entrasse em rota de colisão com colegas de profissão. Em diferentes momentos, o guitarrista disparou críticas contra nomes consagrados do rock, sempre deixando claro que buscava algo além de músicas acessíveis ou voltadas apenas para o sucesso comercial.
Em entrevista concedida à revista Trouser Press em 1978, resgatada pela Far Out, Blackmore comentou sobre a cena musical norte-americana da época e demonstrou pouca simpatia por um estilo que dominava as rádios. Segundo ele, muitas bandas apostavam em um som excessivamente suave e sem a intensidade que considerava essencial.
"Nos Estados Unidos existem alguns grupos muito estranhos e enormes", afirmou. Quando o entrevistador sugeriu que ele estivesse se referindo ao Kiss, Blackmore surpreendeu ao dizer que gostava da banda mascarada justamente porque seus integrantes não fingiam ser virtuoses e não se importavam com a opinião alheia.
Em seguida, explicou qual era seu verdadeiro alvo. "Estou falando dessas bandas de meio de estrada que fazem aquele ritmo lento, relaxado, movido a cocaína. Os DJs adoram isso e tocam o tempo todo", declarou.
Questionado se estava falando do Fleetwood Mac, Blackmore confirmou. Apesar de elogiar os integrantes como pessoas, admitiu não ter apreço pela direção musical do grupo. "Engraçado você mencionar eles. São pessoas legais, mas tenho minhas reservas sobre o que estão fazendo. O resto da América parece não ter nenhuma reserva", disse.
O guitarrista então resumiu o motivo de sua rejeição ao som da banda responsável por "Rumours", um dos discos mais vendidos da história. "Tudo entrou nessa coisa mais suave, mais tranquila, e eu não gosto disso. Eu gosto de música intensa, que transmita drama, quase como uma atuação."
A declaração ajuda a entender por que a obra de Blackmore seguiu um caminho tão diferente do Fleetwood Mac. Enquanto a banda de Stevie Nicks, Lindsey Buckingham, Christine McVie, John McVie e Mick Fleetwood conquistava o público com melodias refinadas e canções introspectivas, Blackmore buscava tensão, teatralidade e impacto emocional. Elementos que acabaram se tornando marcas registradas de sua trajetória.
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