A primeira banda que fez Phil Collins se apaixonar pelo rock progressivo
Por Bruce William
Postado em 17 de junho de 2026
Phil Collins ainda não fazia parte do Genesis quando viu o King Crimson pela primeira vez. Naquele momento, o termo "rock progressivo" nem havia se consolidado direito, mas já existia a sensação de que certas bandas britânicas estavam empurrando o rock para um lugar novo, mais estranho e menos previsível.
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Collins vinha de outra formação. Cresceu ouvindo muito soul e Motown, trabalhou como ator quando criança e aprendeu bateria absorvendo ritmos bem diferentes daqueles associados depois ao Genesis. Por isso, o impacto causado pelo King Crimson não surgiu de uma familiaridade imediata, mas do choque de encontrar algo que parecia não obedecer às regras conhecidas.
"Eles eram absolutamente fenomenais, diferentes de tudo que eu já havia visto", disse, em texto publicado na DGMLive. "Isso foi antes de chamarem aquilo de rock progressivo, mas estava claro que faziam algo completamente novo e bastante impressionante."
O primeiro álbum do grupo, "In the Court of the Crimson King", havia sido lançado em 1969 e reunia peso, improvisação, melodias quase pastorais e longas construções instrumentais. "21st Century Schizoid Man" parecia avançar sobre o ouvinte, enquanto faixas como "Epitaph" e a música-título davam ao disco uma dimensão que poucas bandas de rock tentavam alcançar naquele momento.
Collins também se impressionava com Robert Fripp. Enquanto outros músicos começavam a adotar roupas extravagantes e gestos cada vez mais teatrais, o guitarrista aparecia de terno, sentado num banco, concentrado no instrumento. Para o futuro vocalista do Genesis, aquela postura reforçava a ideia de que a música não precisava de pantomima para soar radical.
O King Crimson também ajudou a estabelecer um caminho que grupos como Genesis, Yes e Emerson, Lake & Palmer seguiriam de maneiras muito diferentes. Collins, porém, nunca demonstrou grande entusiasmo por toda banda reunida depois sob o rótulo progressivo. Sua admiração parecia dirigida a quem realmente ampliava as possibilidades, e não a qualquer grupo com músicas longas, mudanças de compasso e capas elaboradas.
Quando entrou no Genesis em 1970, ele já carregava essa referência. Sua bateria trouxe força, precisão e uma formação rítmica que não vinha apenas do rock britânico. Mais tarde, ao assumir os vocais, ajudaria o grupo a mudar novamente de direção, sem perder completamente o gosto por arranjos incomuns e soluções que fugiam do formato mais óbvio.
A ligação com Fripp não terminou na posição de fã. Conforme relembra a Far Out, no fim dos anos 1970, Collins participou de gravações do guitarrista, aproximando dois músicos que haviam seguido trajetórias bastante distintas desde o surgimento do King Crimson.
Para Phil Collins, a primeira grande paixão dentro daquele universo não foi uma banda parecida com o Genesis. Foi justamente o grupo que apareceu antes, quando ainda não havia uma fórmula pronta a seguir e ninguém sabia muito bem como chamar aquilo.
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