Por que Eric Clapton aceitou virar músico de apoio de outro artista nos anos oitenta
Por Bruce William
Postado em 30 de setembro de 2026
Em 1984, Eric Clapton já tinha passado por Yardbirds, John Mayall, Cream, Blind Faith e Derek and the Dominos, além de uma carreira solo consolidada. Mesmo assim, ele aceitou algo que seu empresário não via com bons olhos: entrar na banda de Roger Waters e trabalhar como músico de apoio.
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A aproximação começou durante as gravações de "The Pros and Cons of Hitch Hiking", primeiro álbum solo de Waters. Clapton participou do disco e acabou gostando tanto da experiência que brincou dizendo que o ex-Pink Floyd deveria levar aquele material para a estrada. Waters respondeu com um convite de verdade.
Clapton aceitou. "Era a desculpa perfeita para fugir dos meus problemas em casa", recordou. O problema estava do outro lado da mesa: Roger Forrester, empresário do guitarrista, não gostava da ideia de vê-lo como sideman de ninguém. Ainda assim, concordou em "emprestá-lo" para Waters durante a turnê, conta a Rock and Roll Garage.
A situação era curiosa porque Clapton não precisava provar absolutamente nada como guitarrista. Mas justamente por isso havia certa liberdade em ocupar outro lugar no palco, explica a Far Out. Em vez de carregar o show nas costas, ele podia simplesmente tocar, entrar e sair das músicas e deixar que Waters conduzisse toda a narrativa e a produção visual.
A turnê passou pela Europa e pelos Estados Unidos e seguia uma estrutura bastante rígida, com projeções e música funcionando juntas para contar a história do álbum. Clapton descreveu Waters como alguém muito preso a esse formato, algo bastante diferente das experiências mais soltas e bluesy que haviam marcado boa parte de sua carreira.
A parceria não durou muito além daquele período, mas serviu como uma ponte importante na trajetória de Clapton nos anos oitenta. Pouco depois ele retomaria com força sua própria carreira, lançando discos como "Behind the Sun", "August" e, no fim da década, "Journeyman." Para um músico que por décadas carregou o peso de ser chamado de "Deus" da guitarra, talvez houvesse até certo alívio em fazer exatamente o contrário do esperado: ficar alguns passos atrás e tocar para a música de outra pessoa.
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