O músico dos Beatles que Ringo Starr achava que não se encaixava na banda
Por Bruce William
Postado em 27 de julho de 2026
A troca de Pete Best por Ringo Starr, em 1962, continua entre os episódios mais discutidos da história dos Beatles. Best havia atravessado com John Lennon, Paul McCartney e George Harrison a fase pesada dos clubes de Hamburgo, mas acabou dispensado justamente quando a banda começava a chegar perto do sucesso.
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Para Ringo, porém, a mudança não foi apenas resultado de preferência pessoal ou de uma decisão empresarial. Ao ouvir o grupo, ele percebia uma ligação musical forte entre Lennon, McCartney e Harrison, mas não sentia que Best acompanhava o mesmo movimento. "Eles tinham um bom estilo. Havia uma sensação especial em Paul, George e John. E Pete, sem querer ofender, eu nunca achei que fosse um grande baterista" disse.
Ringo reconheceu que o antecessor tinha uma maneira própria de conduzir as músicas e que aquilo funcionara durante os primeiros anos. O problema era justamente a falta de variedade quando os Beatles começavam a buscar algo além do repertório direto dos clubes. "Ele tinha mais ou menos um estilo, que era muito bom para eles naquela época, suponho. Mas acho que sentiram que queriam avançar para além daquilo", explicou, em fala resgatada pela Far Out. Na visão de Starr, a banda precisava de alguém capaz de acompanhar mudanças de andamento, arranjos mais detalhados e uma sonoridade que começava a tomar outra forma.
Ringo já tinha experiência considerável no circuito de Liverpool e Hamburgo quando recebeu o convite. Ele tocava com Rory Storm and the Hurricanes e era conhecido pelos outros Beatles, que já o haviam chamado para algumas apresentações. Depois de uma dessas ocasiões, segundo ele, todos saíram para beber e cada um seguiu seu caminho - até que a substituição se tornasse definitiva.
A chegada à banda também não foi totalmente tranquila. Em uma das primeiras sessões de "Love Me Do", o produtor George Martin utilizou o baterista de estúdio Andy White, deixando Ringo no pandeiro em uma das versões da música. O episódio o incomodou profundamente, sobretudo porque ainda tentava provar que merecia ocupar aquele lugar.
Com o passar do tempo, porém, sua bateria se tornou parte fundamental da identidade dos Beatles. Starr não precisava encher as músicas de notas para ser reconhecido: seus padrões de bateria frequentemente funcionavam como ganchos, ajudando a definir faixas tão diferentes quanto "Come Together", "Rain" e "A Day in the Life".
Pete Best havia sido importante na formação inicial, mas Ringo oferecia aquilo de que a banda precisava para seguir adiante: balanço, adaptação, personalidade e sintonia com os outros três integrantes. A decisão foi dura para quem saiu, mas os Beatles logo encontraram no novo baterista uma peça que deixou de parecer substituível.
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