A opinião de Regis Tadeu sobre o clássico "Somewhere in Time" do Iron Maiden
Por Gustavo Maiato
Postado em 15 de julho de 2026
Há discos que conquistam o público imediatamente, enquanto outros precisam de décadas para que suas escolhas sejam devidamente assimiladas. Quando o Iron Maiden lançou "Somewhere in Time", em 1986, parte dos fãs mais puristas recebeu com desconfiança uma mudança que, quatro décadas depois, ajudaria a transformar o álbum em um dos trabalhos mais particulares da banda.
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Em vídeo publicado em seu canal no YouTube, o jornalista e crítico musical Regis Tadeu analisou "Somewhere in Time" por ocasião dos 40 anos de seu lançamento. Segundo ele, a chegada do álbum provocou uma reação exagerada entre fãs acostumados à agressividade de trabalhos como "Killers" e "The Number of the Beast".
"Quando esse disco aqui saiu em 1986, muita gente quase teve um AVC coletivo", afirmou Regis. Segundo o crítico, houve quem enxergasse a nova direção como sinal de que o Iron Maiden estaria se transformando em uma banda de pop rock dos anos 1980. "Foi um exagero burro, evidentemente, que eu mesmo testemunhei naqueles tempos", acrescentou.
Regis reconheceu, porém, que existia uma mudança significativa. Para ele, a rusticidade característica da New Wave of British Heavy Metal havia sido abandonada em favor de uma produção "mais limpa, mais polida e pasteurizada", perigosamente próxima do hard rock que dominava as rádios norte-americanas naquele período.
O elemento mais controverso eram os sintetizadores de guitarra. Ainda assim, Regis admitiu que justamente essa escolha foi responsável por dar ao álbum uma identidade grandiosa e futurista. "Aqueles malditos sintetizadores de guitarra acabaram dando ao álbum uma atmosfera absurdamente ambiciosa, grandiosa e quase espacial", declarou.
O jornalista destacou especialmente "Alexander the Great" e a faixa-título, classificando-as como verdadeiras "óperas espaciais metalizadas". Em sua avaliação, gostando ou não da escolha estética, o Iron Maiden conseguiu desenvolver uma textura sonora que nenhuma outra banda de metal explorava naquele momento com a mesma propriedade.
Regis também abordou os conflitos internos que cercaram a produção. Bruce Dickinson, exausto após a extensa "World Slavery Tour", apresentou ideias acústicas e com influência folk que foram rejeitadas por Steve Harris. Com o vocalista afastado do processo de composição, Adrian Smith ganhou mais espaço e colocou suas influências de hard rock melódico na espinha dorsal do álbum.
Foi justamente de Adrian que nasceu "Wasted Years", definida por Regis como "o único e verdadeiro e incontestável hit comercial do álbum". Para o crítico, seu riff marcante e seu caráter melódico fizeram da música uma composição perfeita tanto para as rádios norte-americanas quanto para as grandes arenas.
Quarenta anos depois, a opinião de Regis sobre "Somewhere in Time" é bastante positiva. Segundo ele, aquilo que originalmente foi encarado como uma possível traição comercial acabou reabilitado pelo tempo. "Hoje o 'Somewhere in Time' deixou de ser aquele patinho feio da discografia da banda e foi consolidado e blindado como um dos trabalhos mais celebrados, mais inovadores e atemporais da história do Iron Maiden."
O crítico não considera o álbum perfeito, mas acredita que sua ousadia envelheceu muito bem. "É uma audácia sonora, na verdade, que envelheceu muito bem, apesar dos pesares. É um disco perfeito? Nem de longe. Mas, perto das porcarias que se produzem hoje em dia, mesmo dentro do metal, esse álbum aqui parece uma obra de música erudita", concluiu Regis.
Confira o vídeo completo abaixo.
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