Bono manda a real sobre o motivo do rock ter perdido espaço para o hip-hop nos anos 2000
Por André Garcia
Postado em 14 de julho de 2026
Quando surgiu, nas décadas de 1950 e 1960, o rock era sinônimo de música da juventude. Já nos anos 1980 e 1990, o hip-hop apareceu como seu maior concorrente na disputa pelo posto de trilha sonora oficial das novas gerações.
Com a chegada do século XXI, o rock perdeu espaço na música mainstream, enquanto rappers e divas pop passaram a dominar as paradas.
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Em entrevista de 2005 ao crítico musical Greg Kot, do Chicago Tribune, o vocalista do U2, Bono, elogiou o hip-hop e lamentou que o rock, com o passar das décadas, tenha perdido seu propósito:
"Eu amo o hip-hop: é o novo empreendedorismo negro. É sobre dar a cara a tapa, ter orgulho e falar alto sobre o que você está fazendo. Vender na esquina se for preciso. Do morro ao asfalto. Anunciar a música nova dentro de outra música. Encarar o mundo."
Na sequência, Bono criticou a nova geração do rock por, segundo ele, se preocupar mais com a pose:
"Enquanto isso, um bando de moleques brancos de classe média fica ensaiando na garagem do papai. […] Eles tentam achar algum trauma, uma neurose interessante ou um vício qualquer só para fazer suas caras limpas parecerem sujas o suficiente para serem levadas a sério pela mídia independente. O hip-hop olha para isso e diz: 'Que p*** é essa?'."
Na época estava no auge o rock alternativo de bandas como The Strokes, White Stripes, Franz Ferdinand e Arctic Monkeys.
O vocalista também destacou que o hip-hop havia ultrapassado o rock em criatividade dentro dos estúdios de gravação:
"Eu fiquei empolgado com os níveis de produção do hip-hop, o drama extraordinário da música deles. Eles estão muito à frente de qualquer um na hora de operar no estúdio. Alguém como o Timbaland."
Como se não bastasse a polêmica que o U2 arrumou com a Apple em 2004, 10 anos depois os irlandeses arrumaram outra maior ainda. Em 2014 seu álbum "Songs of Innocence" foi automaticamente adicionado à biblioteca de mais de 500 milhões de usuários do iPhone, sem que eles tivessem solicitado o download. A reação foi tão negativa que a própria Apple precisou lançar uma ferramenta para remover o álbum dos aparelhos.
Foi literalmente o caso do "não quero nem de graça!"
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