As duas faces de Freddie Mercury que até Brian May tinha dificuldade de decifrar
Por Bruce William
Postado em 12 de julho de 2026
Freddie Mercury podia entrar numa sala e dominar o ambiente antes mesmo de dizer qualquer coisa. A voz, o figurino e a postura faziam dele uma presença impossível de ignorar, mas Brian May enxergava por trás daquela figura expansiva um compositor capaz de seguir por caminhos muito diferentes.
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Um desses lados apareceu em "It's a Hard Life", lançada pelo Queen em 1984. Para May, a música nasceu de um momento em que Mercury baixou a guarda e transformou uma experiência pessoal em canção. "Na minha opinião, esta é uma das músicas mais bonitas que Freddie já escreveu. Ela veio direto do coração, e ele se abriu durante a criação", afirmou, em fala replicada na Far Out.
O guitarrista também via a faixa como um retrato bastante revelador dos relacionamentos do amigo. "É algo muito aberto sobre como as relações funcionam, e ele estava falando da própria relação", explicou. A teatralidade continuava presente, mas escondia menos do que em outras composições.
"Bohemian Rhapsody" ocupava o extremo oposto. Mesmo tendo convivido de perto com Mercury durante décadas, May nunca ofereceu uma explicação definitiva para a música. "Sobre o que é 'Bohemian Rhapsody'? Acho que jamais saberemos. E, caso eu soubesse, provavelmente não gostaria de contar", disse.
May acreditava que Mercury enfrentava problemas pessoais e talvez tivesse colocado parte deles na composição. Também mencionou a possibilidade de que o cantor estivesse pensando em se reinventar, mas preferiu não amarrar a faixa a uma única interpretação. Para ele, o melhor seria deixar "um ponto de interrogação no ar".
Essa diferença ajuda a entender o alcance criativo de Mercury. Em uma música, ele conseguia falar de si com clareza suficiente para que o amigo reconhecesse a história. Em outra, construía uma obra grandiosa que nem os companheiros mais próximos conseguiam desmontar por inteiro.
Brian May conheceu o homem por trás do palco, mas nem isso foi suficiente para eliminar todos os enigmas. Freddie podia escrever diretamente sobre a própria vida ou esconder tudo dentro de personagens, ópera e drama. Talvez parte de seu fascínio venha justamente dessa combinação: alguém capaz de se revelar por completo e, na música seguinte, desaparecer atrás da cortina.
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