O guitarrista que fez Ian Anderson desistir da guitarra e escolher a flauta
Por Bruce William
Postado em 09 de julho de 2026
Ian Anderson construiu uma das imagens mais improváveis do rock: um vocalista e flautista liderando o Jethro Tull, muitas vezes apoiado em uma perna só, misturando rock, folk, blues e música europeia com uma personalidade difícil de confundir. Mas esse caminho poderia ter sido bem diferente se ele tivesse insistido na guitarra.
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O próprio Anderson contou que começou tocando guitarra, mas acabou mudando de instrumento depois de ouvir Eric Clapton. A comparação que ele usou é ótima, porque não fala apenas de admiração, mas daquele tipo de impacto que faz o iniciante olhar para si mesmo e pensar que talvez seja melhor procurar outro caminho.
Em entrevista à Classic Rock, lembrada pela MusicRadar, Anderson explicou a escolha de forma bem-humorada. "Comecei com a guitarra, mas decidi desistir quando ouvi Eric Clapton, do mesmo jeito que as pessoas desistem de jogar tênis quando veem Roger Federer", disse. "Achei que a flauta me dava algo muito interessante melodicamente."
A troca acabou definindo sua vida artística. Em vez de disputar espaço em um mundo cheio de guitarristas excepcionais, Anderson encontrou na flauta uma assinatura própria. O instrumento permitiu que ele explorasse melodias, climas pastorais, passagens folk e ataques mais agressivos dentro do rock sem soar como mais um músico tentando seguir a fila.
Na mesma entrevista, ele também comentou sua famosa postura de tocar em uma perna só. Anderson disse que aquilo funciona como uma forma de concentração e equilíbrio físico e mental, além de ter virado uma marca visual para o público. O que poderia parecer apenas excentricidade acabou se tornando parte essencial da identidade do Jethro Tull.
O músico ainda falou sobre Ritchie Blackmore, com quem colaborou em "Play, Minstrel, Play", faixa do Blackmore's Night lançada no álbum "Shadow Of The Moon", de 1997. Anderson rejeitou a ideia de que o ex-Deep Purple fosse simplesmente maluco por mergulhar em um universo de folk medieval. "Não conheço Ritchie tão profundamente, mas ele está longe de ser biruta", afirmou. "Ele sempre teve interesse por música medieval, e já citou o Jethro Tull por volta de 1974 como algo muito iluminador." Depois, resumiu com uma frase ainda mais direta: "Ritchie definitivamente não é louco."
A história acaba mostrando como uma desistência pode virar descoberta. Anderson ouviu Clapton, percebeu que talvez a guitarra não fosse seu território principal e encontrou na flauta um caminho que ninguém mais ocupava daquele jeito. Se tivesse insistido em ser mais um guitarrista, talvez o Jethro Tull nunca tivesse se tornado uma das bandas mais peculiares do rock.
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